CARACTERIZAÇÃO DE SILAGENS DE CAPIM ELEFANTE CV. BRS CAPIAÇU EM FUNÇÃO DAS PRÁTICAS DE MANEJO ADOTADAS NO VALE DO RIO CUIABÁ- MS
A qualidade de silagens de capins tropicais, especialmente do capim-elefante cv. BRS Capiaçu, é influenciada por diversos fatores que abrangem desde o manejo da capineira até as condições operacionais de colheita e todas as etapas do processo de ensilagem. Embora a cultivar apresente elevado potencial produtivo e adequado valor nutritivo, as diferenças nas práticas adotadas nas propriedades podem comprometer a eficiência fermentativa e o valor energético final do material conservado. Diante desse cenário, objetivou-se avaliar a caracterização de silagens de capim-elefante cv. BRS Capiaçu em função das práticas de manejo adotadas em propriedades do Vale do Rio Cuiabá. Foram avaliadas 17 propriedades localizadas nos municípios de Campo Verde e Nova Brasilândia (MT), nas quais realizou-se o levantamento das práticas de manejo por meio de questionário aplicado aos produtores, além da coleta de amostras de silagem para análises bromatológicas via espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS). As variáveis analisadas incluíram composição química, frações fibrosas, perfil fermentativo, digestibilidade e estimativas energéticas. Os dados foram submetidos à estatística descritiva e a análises multivariadas, incluindo Análise de Componentes Principais (PCA) e análise de agrupamento hierárquico. Os resultados evidenciaram variabilidade moderada nos teores de matéria seca e proteína bruta, com valores médios de matéria seca abaixo da faixa considerada ideal para adequada fermentação. As maiores variações foram observadas no perfil fermentativo, especialmente para ácido lático e ácido butírico, indicando diferenças na condução do processo de ensilagem entre as propriedades. A análise multivariada permitiu identificar dois eixos principais de variação: um associado à digestibilidade e ao valor energético, e outro relacionado ao perfil fermentativo. A formação de três grupos distintos de silagens demonstrou diferentes padrões de qualidade nutricional, com associação à maturidade da forragem no momento do corte e às condições operacionais de colheita. Conclui-se que a qualidade das silagens avaliadas resulta da interação entre o estádio fisiológico da planta e a eficiência operacional do processo de ensilagem, evidenciando a necessidade de maior padronização das práticas de manejo, adoção de estratégias para elevação do teor de matéria seca e definição mais criteriosa do intervalo de corte, visando reduzir a variabilidade e elevar o padrão qualitativo das silagens produzidas na região.