INFÂNCIA DECOLONIAIS: CORPO, IDENTIDADE E PERTENCIMENTO ÉTNICO-RACIAL NA EDUCAÇÃO FÍSICA COM A EDUCAÇÃO INFANTIL.
Educação Física na Educação Infantil. Infância decolonial, Bricolagem metodológica. Pedagogia das Encruzilhadas. Coautoria infantil. Pertencimento racial.
Esta pesquisa investiga, em perspectiva qualitativa e decolonial, como crianças pequenas de uma turma de Educação Infantil de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) no Sul de Minas Gerais produzem e negociam sentidos sobre corpo, movimento e pertencimento racial em espaços-tempos brincantes de Educação Física mediados pela Pedagogia das Encruzilhadas. Parte-se da compreensão de que a criança é um sujeito capaz de produzir significados sobre sua identidade por meio de narrativas, silêncios e invenções corporais. O problema surge, portanto, da tensão entre o reconhecimento da criança como sujeito de direitos e a permanência de práticas escolares atravessadas pelo adultocentrismo, colonialidade e racialização. A pesquisa se justifica pela necessidade de responder às lacunas sobre os limites da escuta e da coautoria infantil na área e sobre a pouca presença do pensamento decolonial nos estudos da infância. Com o objetivo de analisar as formas como as crianças elaboram e repensam esses significados, esta investigação busca compreender esse processo ao articular a análise das normas adultocêntricas, coloniais e racializadas com as autorias corporais por elas tecidas. Para tanto, o estudo adota uma abordagem qualitativa pautada na bricolagem metodológica e no campo dos estudos com crianças. Nela, a constituição do corpus empírico é vista como um processo dinâmico e relacional, tecido no encontro entre as crianças, o pesquisador, as corporeidades, gestualidades, os espaços e as materialidades. Serão realizados oito encontros corporais-brincantes organizados como dispositivos abertos à participação e coautoria infantil, com propostas inspiradas pela Pedagogia das Encruzilhadas. O material empírico será construído de forma multimodal, com o corpo e o movimento como linguagens centrais, por meio de registros audiovisuais, observação participante, diário de campo, conversas situadas, desenhos, escolhas corporais e demais produções infantis que emergirem nos encontros. As interpretações produzidas buscam problematizar como as crianças exercem suas agências perante as propostas, e de que forma isso contribui à sua constituição identitária diante das regulações e possibilidades de invenção presentes no cotidiano escolar. Espera-se contribuir para a Educação Física na Educação Infantil ao fortalecer uma prática pedagógica antirracista e decolonial, sensível às múltiplas linguagens, à agência e à coautoria das crianças envolvidas.