MECANISMOS FISIOLÓGICOS E SIMBIÓTICOS ASSOCIADOS À RESISTÊNCIA DAS PROTEÍNAS INSETICIDAS DE Bacillus thuringiensis EM Spodoptera frugiperda: Custos de aptidão, microbiota intestinal e detoxificação
Enzimas; Simbiontes; Gene 16S rDNA; Resistencia
Spodoptera frugiperda (Lepidoptera: Noctuidae), é uma importante praga no mundo devido aos danos que causa às culturas agrícolas e à sua elevada capacidade de desenvolver resistência as proteínas inseticidas e à sua capacidade de desenvolver resistência à diferentes estratégias de controle como Bacillus thuringiensis, constitui desde o 2003 como o principal método de controle. No entanto, a adoção intensiva dessa tecnologia tem favorecido a rápida evolução de populações resistentes. Embora mecanismos clássicos de resistência, como a superexpressão de enzimas de detoxificação e mutações no sítio de ação, tenham sido amplamente descritos, tais abordagens mostram-se insuficientes para explicar a velocidade e a variabilidade da resistência. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo avaliar os mecanismos fisiológicos e simbióticos associados à resistência em S. frugiperda às proteínas inseticidas de B. thuringiensis e suas consequências sobre os custos de aptidão, integrando análises demográficas, bioquímicas e microbiológicas. Parte-se da hipótese de que a resistência é um fenômeno multifatorial que envolve mecanismos fisiológicos e simbióticos, os quais modulam os custos de aptidão e contribuem para a persistência da espécie sob pressão de controle. Para isso, será conduzida uma meta-análise visando à construção de um estado da arte detalhado torna-se fundamental, pois permite identificar padrões, tendências e lacunas no conhecimento, além de orientar o direcionamento de futuras investigações sobre os custos de aptidão associados à resistência, complementada por experimentos laboratoriais com populações resistentes e suscetíveis ao milho Bt que expressa as proteínas inseticidas CryA.105+ Cry2Ab2+Cry3Bb1, submetidas a diferentes dietas (milho Bt, não Bt e dieta artificial). Serão avaliados parâmetros de desenvolvimento, reprodução e crescimento populacional por meio de tabelas de vida, bem como a atividade de enzimas de detoxificação de Fase I e II (P450, esterases e glutationa S-transferases). Adicionalmente, a microbiota intestinal será isolada, caracterizada e identificada por meio do sequenciamento do gene 16S rDNA, e a ferramenta PICRUSt2 para predizer as vias metabólicas associadas à degradação de xenobióticos, visando compreender seu papel funcional na degradação de xenobióticos e na modulação da resistência. Espera-se que os resultados contribuam para a compreensão dos mecanismos compensatórios associados à resistência, fornecendo bases científicas para o desenvolvimento de estratégias mais sustentáveis de Manejo Integrado de Pragas e para o avanço de abordagens inovadoras baseadas na manipulação da microbiota intestinal.