DETERIORAMENTO OXIDATIVO DO EPICARPO EM Cucumis melo L. INDUZIDO POR DESEQUILÍBRIO CELULAR DO NITROGÊNIO
Estresse Oxidativo; Senescência; nitratos (NO3-); Manchas marrons.
O melão (Cucumis melo L.) é uma cultura de elevada importância econômica em Honduras, cuja qualidade externa do fruto é determinante para a aceitação comercial. Em melões do tipo Gália, o aparecimento de manchas marrons no epicarpo durante o armazenamento pós-colheita tem sido associado a desequilíbrios metabólicos e ao estresse oxidativo, frequentemente influenciados por fatores pós-colheita. Nesse contexto, o nitrogênio (N) destaca-se como um nutriente essencial capaz de modular tanto o rendimento quanto a qualidade dos frutos, influenciando diretamente processos metabólicos relacionados ao estado redox e à integridade tecidual. Objetivou-se elucidar os mecanismos fisiológicos, bioquímicos e moleculares envolvidos na deterioração oxidativa do epicarpo de frutos de melão Gália submetidos a diferentes níveis de nitrogênio, com ênfase na dinâmica do acúmulo de nitratos (NO3-) no epicarpo. O experimento foi conduzido em condições de campo, na empresa Agrolíbano, em Namasigüe, Honduras, com melão tipo Gália (cultivar NH2004). As plantas foram submetidas a cinco doses crescentes de nitrogênio (T1: 8,71 g; T2: 19,62 g; T3: 30,56 g; T4: 41,48 g; T5: 52,46 g), aplicadas na forma de nitrato ao longo do ciclo da cultura. Foram avaliados dados biométricos de plantas e frutos, o acúmulo de nitrogênio total e nitrato (NO₃⁻) no epicarpo, o conteúdo de carboidratos solúveis e a incidência de manchas marrons após armazenamento refrigerado. Adicionalmente, realizou-se a caracterização proteômica do epicarpo por meio de proteômica quantitativa baseada em aquisição independente de dados em quatro dimensões (4D-DIA), associada a análises de enriquecimento funcional (GO e KEGG). O aumento das doses de nitrogênio promoveu incremento significativo da biomassa da parte aérea, raiz, fruto e massa seca total (MST), evidenciando efeito positivo do nutriente sobre o crescimento vegetal. Observou-se acúmulo progressivo de nitrogênio total (N-total) e nitrato (NO₃⁻) no epicarpo ao longo do desenvolvimento do fruto, confirmando o papel desse tecido como compartimento ativo de armazenamento de N. Doses elevadas de nitrogênio aumentaram a incidência e severidade de manchas marrons após armazenamento, com associação positiva entre o acúmulo de NO₃⁻ e a manifestação do distúrbio fisiológico. O metabolismo de carboidratos foi significativamente modulado pelo N, com alterações nos açúcares solúveis totais (AST), açúcares redutores (AR) e sacarose, indicando reconfiguração da partição de carbono no epicarpo sob excesso nutricional. A análise proteômica identificou 8.193 proteínas, das quais 373 foram diferencialmente expressas (DEPs) entre epicarpos saudáveis e oxidado. O epicarpo oxidado apresentou enriquecimento de proteínas associadas ao estresse oxidativo, fosforilação oxidativa, ativação de enzimas antioxidantes, intensificação do metabolismo respiratório mitocondrial e aumento de proteínas relacionadas à biossíntese de S-adenosilmetionina (SAM) e sinalização de etileno, sugerindo aceleração de processos de senescência e morte celular programada no epicarpo. O excesso de nitrogênio atua como um modulador crítico no estresse celular e da qualidade pós-colheita do melão, ao desestabilizar o equilíbrio metabólico do epicarpo e comprometer sua capacidade de manutenção redox. Esse desequilíbrio favorece processos de senescência acelerada, resultando no aparecimento de manchas marrons e em morte celular localizada no tecido. Assim, o manejo inadequado de nitrogênio pode reduzir significativamente a vida útil e a qualidade externa dos frutos.