COMUNIDADES DA FAUNA EDÁFICA INVERTEBRADA EM ECOSSISTEMAS PRESERVADAS E CULTIVOS DE BANANA NO DOMÍNIO CAATINGA, EM MINAS GERAIS
Palavras chave: Collembola, Acari, Coleoptera, Formicidae , espécies indicadoras, índices de diversidade.
O Norte de Minas Gerais apresenta áreas de Caatinga, bioma semiárido. A cultura da banana é uma atividade agrícola de destaque no Norte de Minas Gerais, viabilizada por sistemas de irrigação, que exercem influência significativa sobre o bioma. Apesar de sua importância ambiental e econômica, a fauna invertebrada edáfica foi pouco estudada nesta região. Este trabalho teve como objetivo avaliar a influência dos cultivos de banana irrigada sobre as comunidades da fauna invertebrada do solo, comparando-as com as comunidades presentes em áreas preservadas da Caatinga, nos municípios de Jaíba e Matias Cardoso, Minas Gerais. Para realizar a amostragem foram utilizadas armadilhas de queda iscadas com fezes humanas. Foram também realizadas coletas de solo para análise físicas e químicas que utilizamos como variáveis explicativas na análise da composição das comunidades. O material coletado foi triado e identificado no menor nível taxonômico possível. A separação entre os usos do solo esteve associada a um gradiente de atributos físicos e químicos, com o cultivo relacionado a maiores teores de Na, Mg, Zn e B, enquanto as áreas preservadas apresentaram maiores valores de H+Al. Foram coletados 62.257 indivíduos da fauna invertebrada do solo, sendo 37.701 registrados nas áreas preservadas e 24.556 nas áreas cultivadas, com predominância de Collembola, Acari, Coleoptera e Formicidae. Para a fauna edáfica geral, a abundância total não diferiu entre os usos do solo, entretanto, a riqueza foi significativamente superior nas áreas preservadas. A Análise de Partição da Variância (APV) indicou que o uso da terra exerceu maior influência sobre a estruturação da comunidade do que os atributos físicos e químicos do solo. A composição da fauna diferiu entre os ambientes, com separação das comunidades entre as áreas preservadas e cultivo irrigado (PERMANOVA R² = 0,496; p = 0,006). A análise de táxons indicadores revelou a associação de Blattaria, Pseudoscorpiones e Isoptera às áreas preservadas, enquanto Dermaptera associou-se às áreas cultivadas. Para Araneae, foram registrados 216 indivíduos distribuídos em 24 famílias, com maior abundância e diversidade (q0, q1 e q2) nas áreas preservadas, além de famílias indicadoras apenas dessas áreas. Para Coleoptera, foram registradas 15 famílias (8.991 indivíduos), com maior abundância e riqueza (q0) áreas preservadas, além de famílias indicadoras apenas dessas áreas. Para besouros Scarabaeinae foram registrados 7.797 indivíduos separados em 49 espécies. As áreas preservadas concentraram quase toda a comunidade com 7.656 indivíduos e 46 espécies, enquanto o cultivo teve 141 indivíduos e 20 espécies. Abundância e diversidade (q0, q1 e q2) foram maiores nas áreas preservadas preservadas (p < 0,001). A análise de táxons indicadores apontou 16 taxa/espécies indicadores(as) das preservadas da Caatinga e apenas um(a) do cultivo de banana (Canthon quinquemaculatus). Os resultados demonstram que o cultivo irrigado de banana promove redução da riqueza e mudanças consistentes na estrutura e, principalmente, na composição das comunidades edáficas quando comparado à Caatinga preservada. Esses resultados indicam que a fauna do solo é um importante indicador de alterações associadas ao uso da terra no semiárido e reforçam a necessidade de práticas de manejo que conservem atributos edáficos e micro-habitats em paisagens agrícolas, apesar das áreas de preservação existentes na região e anexas a estes cultivos cumprirem este papel.