PLANEJAMENTO OTIMIZADO DA COLHEITA FLORESTAL: MODELAGEM PARA PROJEÇÃO DE SORTIMENTOS DA MADEIRA E AGENDAMENTO SEQUENCIAL DA COLHEITA
pesquisa operacional; modelos matemáticos; programação linear; planejamento florestal; produção florestal.
A intensificação da demanda por produtos florestais exige um planejamento coordenado da colheita com a produção industrial, apoiado por uma gestão otimizada da cadeia de suprimentos e de estratégias que alinhem o fornecimento de madeira à demanda fabril de produtos de maior valor agregado, visando maior rentabilidade. Diante disso, foi desenvolvido neste estudo um modelo matemático de Programação Linear Inteira Mista (PLIM), baseado no Modelo Tipo I de Johnson e Scheurman (1977), com o objetivo de otimizar o agendamento da colheita florestal, maximizando o Valor Presente Líquido (VPL) e determinando a sequência ótima de corte dos talhões, enquanto atende às metas de produção industrial. O modelo considerou duas categorias de restrições: Regulação (R): permitindo planejar o corte de forma equilibrada ao longo do tempo; e Sequenciamento (S): incorporando regras de roteamento para o deslocamento das máquinas florestais entre os talhões. Para avaliar o desempenho, foram testados três cenários no período de 1 ano, simulados com dados reais sob diferentes níveis de restringência: C1 apresentou apenas a Regulação, C2 correspondeu ao modelo completo (R+S) e C3, a testemunha, que consistiu no planejamento atualmente adotado por uma empresa que abastece uma indústria de desdobro no estado de Alagoas. Os dados foram processados em linguagem R, no ambiente RStudio, e as instâncias de otimização resolvidas pelo solver Gurobi. O modelo PLIM demonstrou capacidade de otimizar o sequenciamento da colheita e maximizar o VPL, conciliando regulação volumétrica, priorização de produtos de maior valor e restrições espaciais. Por isso, o cenário completo (C2) foi o mais rentável, gerando aumento de 5,6% no volume de multiprodutos de interesse e ganhos de até R$ 750,00 por hectare em comparação com o C3. Os resultados indicaram que priorizar produtos de maior valor é mais vantajoso que apenas reduzir os custos logísticos. Conclui-se, portanto, que os modelos matemáticos, que integram colheita e indústria, ao sincronizar produção e demanda, elevam o desempenho econômico da cadeia de suprimento. Assim, o modelo proposto se configura como instrumento de apoio a decisões táticas a serem exploradas em planejamentos mais complexos e plurianuais.