Dendroclimatologia na Amazônia: sinais climáticos em cronologias de largura de anéis e δ¹⁸O em Cedrela odorata
Dendrocronologia, Proxies Climáticos, Mudanças Climáticas, Bacia Amazônica
A bacia amazônica é uma das regiões mais importantes para a regulação do clima regional e global. Nas últimas décadas, essa vasta região tem enfrentado eventos de extremos climáticos cada vez mais frequentes, com elevado impacto socioambiental. Entretanto, os dados que sustentam os estudos climáticos na Amazônia são relativamente recentes (< 100 anos) e apresentam baixa distribuição espacial, o que dificulta a quantificação da variabilidade climática natural e a avaliação dos efeitos antropogênicos. Diante desse cenário, o objetivo desta tese foi desenvolver cronologias centenárias de larguras de anéis de crescimento e de isótopos de oxigênio de Cedrela odorata ao longo da bacia amazônica, bem como avaliar suas relações com o clima. As cronologias foram desenvolvidas em quatro regiões da bacia amazônica, sendo três localizadas no setor leste e uma no sudoeste, incluindo três cronologias de larguras de anéis e uma cronologia de isótopos de oxigênio. A datação das séries foi realizada por meio de datação cruzada e validada com datação por radiocarbono. Apenas três cronologias foram validadas, sendo duas de larguras de anéis (FNA e RPU) e uma de isótopos de oxigênio (RPA). As cronologias FNA (1890–2021) e RPU (1921–2021) apresentaram coerência entre as amostras e validação por radiocarbono, porém não exibiram correlação climática consistente. Por outro lado, a cronologia RPA apresentou forte relação com o regime hídrico da região leste da Amazônia, permitindo a reconstrução da precipitação no período de 1885 a 2016. Os resultados indicam que as larguras de anéis apresentam menor sensibilidade climática em regiões tropicais e demandam estudos adicionais de cunho fisiológico, enquanto os isótopos de oxigênio se mostram uma abordagem mais promissora para estudos climáticos nos trópicos.