Condicionamento de sementes de Eucalyptus citriodora Hook com peróxido de hidrogênio
Homeostase iônica; Condicionamento químico; Estresse oxidativo; Tolerância à salinidade.
O cultivo de espécies de eucalipto tem gerado elevada rentabilidade para o setor florestal, com destaque para Eucalyptus citriodora. Essa espécie apresenta múltiplos usos, sendo especialmente valorizada pela produção de óleo essencial para a indústria e pela madeira de alta densidade. Este estudo avaliou a eficácia do condicionamento fisiológico de sementes (priming) com peróxido de hidrogênio (H₂O₂) na mitigação dos danos causados pelo estresse salino. O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, em esquema fatorial, combinando concentrações de condicionamento com H₂O₂ (0, 100, 200 e 400 mM) e níveis de estresse salino induzido por NaCl (0, 75 e 150 mM). Foram avaliados parâmetros de germinação, crescimento inicial, pigmentos fotossintéticos e metabolismo antioxidante. Os resultados demonstraram que a salinidade reduziu significativamente o crescimento inicial e os teores de pigmentos fotossintéticos. O condicionamento com H₂O₂, embora não tenha alterado a porcentagem final de germinação, acelerou o processo germinativo, promovendo aumento do Índice de Velocidade de Germinação (IVG) e redução do Tempo Médio de Germinação (TMG) e do tempo para 50% de germinação (t₅₀). Destaca-se que o H₂O₂ atuou como bioestimulante radicular, mitigando a inibição do crescimento da raiz sob condições salinas. As análises bioquímicas indicaram que a tolerância induzida não decorreu de uma superexpressão generalizada das enzimas antioxidantes (SOD, CAT e APX), mas de uma regulação eficiente da homeostase redox, evidenciada pela redução dos níveis endógenos de H₂O₂ e pelo controle da peroxidação lipídica. Conclui-se que o condicionamento de sementes com H₂O₂ constitui uma estratégia promissora para aumentar o vigor e a tolerância de E. citriodora durante a fase crítica de estabelecimento em solos salinos.