Respostas climáticas de Cedrela fissilis em uma região ecotonal entre Cerrado e Caatinga no norte de Minas Gerais
Dendrocronologia tropical, Proxy climático, Variabilidade hídrica, Mudanças climáticas, Crescimento radial
A compreensão dos efeitos das mudanças climáticas sobre a dinâmica de crescimento de espécies arbóreas em florestas tropicais ainda apresenta lacunas, especialmente em regiões com sazonalidade climática marcada. O estudo pretendeu identificar padrões de crescimento ao longo do tempo, detectar eventos climáticos extremos e avaliar a influência das mudanças climáticas sobre o crescimento radial da espécie. As amostras foram obtidas nos municípios Januária (Parque Nacional das Cavernas do Peruaçu e Juvenília), a partir de 42 (Quarenta e duas) árvores selecionadas com base na acessibilidade do local, sanidade e diâmetro mínimo aceitável (DAP ≥ 10 cm) a 1,3 m de altura do solo, utilizando o método não destrutivo com sonda de Pressler de 5 mm. Em seguida, as amostras foram levadas ao Laboratório de Dendrocronologia da UFLA, no qual foi realizado o processo de polimento, contagem e mensuração dos anéis, de onde foram extraídas informações relevantes para o estudo. Para avaliar a qualidade da datação de séries dendrocronológicas foi utilizado o Software COFECHA, o programa ARSTAN para gerar as cronologias e o software R (v. 4.5.2) do ambiente RStudio para análise e processamento dados espaciais e dendrométricos. Posteriormente, usou-se os dados climáticos e hidrológicos (temperatura, precipitação, vazão de rios e índices de seca ao longo do tempo) obtidos de fontes oficiais e estações mais próximas às áreas de coleta, como WorldClim, ANA, INMET e CRU. Foi aplicada regressão por componentes principais para a reconstrução do clima passado, calibrando os dados dos anéis de crescimento com observações climáticas sazonais. Os resultados da presente pesquisa demonstram uma forte correlação dos anéis de crescimento entre as séries (0,719), e com as variáveis climáticos como revelou um coeficiente de correlação de r = 0,46, indicando uma correlação positiva de intensidade moderada e com a temperatura média, um coeficiente negativo de aproximadamente –0,26, o que indica uma relação inversa de intensidade fraca a moderada entre as variáveis, sugerindo que essas variações não acontecem ao acaso, e que as espécies arbóreas respondem a esses estímulos a nível da região em estudo. Estes resultados demonstram a relevância de incorporar estudos de género de modo a obter respostas sobre o estado atual das florestas, face às alterações climáticas, e a reações das espécies arbóreas na região em estudo aos estímulos ambientais nesses ecossistemas.