O CICLO GRAMÍNEA-FOGO E A SAVANIZAÇÃO DE FAIXAS DE DOMÍNIO: UMA ANÁLISE EM GRADIENTES DE ANTROPIZAÇÃO NA MATA ATLÂNTICA
Incêndios, gramíneas, estradas
A fragmentação da Mata Atlântica por infraestruturas lineares impõe distúrbios crônicos às faixas de domínio, que podem atuar como conectores funcionais ou como vetores de degradação (Laurance e Vasconcelos, 2009). Este estudo objetiva analisar a estrutura fitossociológica e a dinâmica de savanização em trechos da rodovia BR-381, Minas Gerais, investigando se o manejo antropogênico voltado a segurança viária induz a transição para um estado fitofisionômico semelhante a uma savana (savanna-like) (Sansevero et al., 2020; Beckett et al., 2022). O mecanismo central é o ciclo gramínea-fogo, no qual a redução do Índice de Área Foliar (LAI) facilita a invasão de gramíneas C4 exóticas, as quais triplicam a carga de combustível fino e intensificam incêndios recorrentes (Silvério et al., 2013; Longo et al., 2025). Hipotetiza-se que esse regime resulte em um gargalo sucessional (bottleneck effect) via mortalidade seletiva por classe de diâmetro, eliminando preferencialmente indivíduos juvenis (5–15 cm) originários de formações de floresta atlântica e favorecendo espécies típicas de savana com cascas espessas e alta capacidade de rebrota basal (Sansevero et al., 2020; Rocha et al., 2025). Espera-se evidenciar uma homogeneização biótica e a estabilização de um estado estável alternativo de baixa biomassa, indicando que as faixas atingiram um ponto de não retorno (tipping point) que compromete sua função como “hotspots” de conservação do bioma (Rezende et al., 2018; Sanchez-Martinez et al., 2025).