PRODUÇÃO E AVALIAÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS SÓLIDOS A PARTIR DO ENDOCARPO DE MACAÚBA (Acrocomia aculeata): PELLETS E BRIQUETES
Biomassa. Bioenergia. Densificação. Qualidade.
A crescente demanda por fontes renováveis e a necessidade de reduzir emissões de gases de efeito estufa têm impulsionado o interesse por biocombustíveis sólidos derivados de resíduos lignocelulósicos. Nesse contexto, o Brasil apresenta condições privilegiadas para a produção de bioenergia, dada a elevada disponibilidade de resíduos agroflorestais. Entre os materiais promissores destaca-se o endocarpo de macaúba (Acrocomia aculeata), subproduto abundante da cadeia produtiva da palmeira e caracterizado por sua elevada densidade natural, alto teor de carbono fixo e poder calorífico significativo. Apesar de seu potencial, ainda são escassos os estudos sobre seu desempenho quando densificado, seja na forma de pellets ou briquetes. Este projeto de doutorado tem como objetivo avaliar o potencial energético e tecnológico do endocarpo de macaúba — puro ou em misturas com serragem de Pinus — para produção de biocombustíveis sólidos densificados. O estudo envolve a caracterização físico-química, energética, térmica, estrutural e mecânica das biomassas in natura, dos pellets (com diferentes proporções de blendas) e dos briquetes produzidos em diferentes combinações de temperatura e tempo de compactação. A metodologia emprega abordagem quantitativa e qualitativa, com experimentação controlada. As biomassas são moídas, peneiradas e submetidas aos processos de peletização e briquetagem, produzindo seis tratamentos de pellets (variações entre 100% macaúba, 100% pinus e misturas intermediárias) e oito tratamentos de briquetes de 100% macaúba (diferentes tempos e temperaturas). As análises incluem: densidade aparente e unitária (EN 15103; EN 16127), química imediata (EN 14774, EN 14775, EN 15148), composição elementar CHNS-O, termogravimetria (TGA/DTG), determinação de PCS, PCI e PCL (EN 14918), combustibilidade, resistência à compressão diametral, durabilidade mecânica, teor de finos, microscopia estereoscópica e análise estatística via ANOVA e Scott-Knott. Os resultados preliminares indicam diferenças marcantes entre as biomassas. O endocarpo de macaúba apresenta elevada densidade aparente (538 kg m-3), alto teor de cinzas (10,18%), e densidade energética significativamente superior ao Pinus (9,83 vs. 3,10 GJ m-3). Após a densificação, os pellets de Pinus exibiram maior resistência mecânica e combustibilidade (ICOM = 0,52), enquanto as blendas com macaúba apresentaram maior teor de cinzas, porém bons valores energéticos e densidade elevada. As misturas intermediárias mostraram comportamento equilibrado, sugerindo sinergias entre as biomassas. O estudo prevê ainda a produção de dois artigos científicos: (1) pellets de macaúba, Pinus e blendas; (2) briquetes de endocarpo de macaúba sob diferentes condições de densificação. Os resultados esperados incluem a identificação de formulações com propriedades energéticas, mecânicas e térmicas otimizadas, adequadas às normas ISO e EN para biocombustíveis sólidos. Espera-se, assim, estabelecer bases técnicas para o uso eficiente da macaúba na produção de biocombustíveis densificados, contribuindo para o desenvolvimento sustentável, valorização de resíduos e expansão da bioenergia no Brasil.