PSEUDOCAULE DA BANANEIRA COMO PRECURSOR DE MATERIAIS ADSORVENTES PARA REMOÇÃO DE CONTAMINANTES EM MEIO AQUOSO
resíduo agroindustrial; biossorvente; polietilenoimina; corante direto
A geração de efluentes têxteis com elevada carga de corantes e baixa biodegradabilidade tem impulsionado a busca por materiais adsorventes mais sustentáveis para tratamento em meio aquoso. Nesse contexto, o presente trabalho avaliou o pseudocaule da bananeira como precursor de biossorventes e biocarvões destinados à remoção de contaminantes orgânicos, com ênfase no corante Preto Reativo 5. Na primeira parte, a funcionalização do pseudocaule com polietilenoimina (PEI) elevou de forma expressiva o desempenho adsortivo em relação ao material in natura. O biossorvente in natura removeu apenas 3,9% do corante, enquanto os materiais funcionalizados com PEI de diferentes massas molares alcançaram 65,7% (B-PLM), 94,0% (B-PMM) e 90,9% (B-PHM), onde LM, MM e HM denotam baixa, média e alta massa molar. A funcionalização do pseudocaule também aumentou o pH no ponto de carga zero de 7,06 para 8,35–8,70 e elevou o número de grupos básicos superficiais até 8,87 mmol g-1. Em meio ácido, B-PLM atingiu 87,8% de remoção, ao passo que B-PMM e B-PHM apresentaram remoção praticamente quantitativa entre pH 2 e 8. Os estudos cinéticos indicaram equilíbrio em 18 h, 3 h e 6 h para B-PLM, B-PMM e B-PHM, respectivamente, com capacidades máximas experimentais de 114,14, 220,63 e 208,71 mg g-1. O melhor desempenho global foi atribuído ao B-PMM, sugerindo que a massa molar intermediária do polímero favorece o equilíbrio entre densidade funcional e acessibilidade dos sítios ativos. Na segunda parte, foi proposta a obtenção de um biocarvão de pseudocaule de bananeira por pirólise a 300 °C, com rendimento médio de 41,2%, seguida de funcionalização por rota em etapa única com PEI. Os resultados preliminares indicam que a estratégia pode favorecer a preservação de grupos superficiais e a introdução de sítios catiônicos, ampliando o potencial do material para futuras aplicações na remoção de contaminantes em meios aquosos. Em conjunto, os resultados mostram que o pseudocaule da bananeira é um precursor promissor para materiais adsorventes de baixo custo, e que a funcionalização com PEI é decisiva para melhorar a remoção de corantes aniônicos em água.