CONVERGÊNCIA DE CONHECIMENTOS PARA A CONSERVAÇÃO PESQUEIRA: DIÁLOGOS ENTRE PERCEPÇÃO LOCAL, MONITORAMENTO PARTICIPATIVO E LITERATURA CIENTÍFICA A PARTIR DE DIMENSÕES BIOLÓGICAS DE PEIXES AMAZÔNICOS
Pesca artesanal; Conhecimento ecológico local; Governança participativa; Sobrepesca; Substituição de espécies
A gestão pesqueira na Amazônia enfrenta desafios relacionados à escassez de dados biológicos e à desconsideração do conhecimento ecológico local (CEL) nas estratégias de conservação. Este estudo analisou a estrutura de tamanhos e a pressão pesqueira sobre sete espécies comerciais no trecho médio do rio Tapajós (PA), integrando três fontes de dados: (i) o CEL de pescadores artesanais, (ii) registros de desembarques obtidos por monitoramento participativo e (iii) parâmetros biológicos disponíveis na literatura científica. As informações foram comparadas entre tamanhos de captura, tamanhos mínimos reprodutivos (TMR) e tamanhos máximos (TM). Os resultados mostraram forte correspondência entre os dados relatados pelos pescadores, os desembarques e os valores descritos na literatura, evidenciando a confiabilidade do conhecimento tradicional. No entanto, espécies de grande porte, como Dourada (Brachyplatystoma rousseauxii) e Filhote (B. filamentosum), apresentaram altos percentuais de indivíduos capturados abaixo do TMR, indicando sobrepesca por crescimento. Padrões de substituição por espécies menores também foram observados, sugerindo um processo de Fishing Down Size Structure. Esses achados reforçam o potencial do CEL para subsidiar práticas de manejo, destacando a importância de medidas participativas, como a definição de tamanhos mínimos de captura, a formação de agentes comunitários de monitoramento e o fortalecimento de arranjos de cogestão. A integração entre ciência e conhecimento local mostra-se estratégica para promover medidas sustentáveis e culturalmente adequadas à realidade amazônica.