INGESTÃO DE MICROPLÁSTICOS POR KRILL ANTÁRTICO DURANTE O INVERNO AUSTRAL
Crustacea; poluição; plástico
Os plásticos, embora indispensáveis à vida moderna, representam uma das crises ambientais mais urgentes da atualidade. No ambiente, esses materiais se fragmentam em partículas menores que 5 mm, denominadas microplásticos (MPs). A Antártica e o krill antártico vêm sendo impactados por essa contaminação, o que é preocupante devido ao papel crucial dessa região no equilíbrio do planeta e à importância desse crustáceo como base da cadeia alimentar. Apesar disso, estudos sobre MPs em krill antártico ainda são escassos. Dessa forma, o objetivo deste trabalho é avaliar a presença de MPs em estômagos de krill antártico coletados no inverno, a fim de caracterizar as partículas e avaliar sua abundância em relação aos locais de coleta, as classes demográficas e os dados biométricos. As amostras foram obtidas em oito pontos na Península Antártica e nas Ilhas Órcades do Sul, entre maio e julho de 2022. Em laboratório, foram selecionados aleatoriamente 236 krills. A extração dos MPs envolve digestão, filtração, secagem e armazenamento das amostras. A identificação visual dos MPs permitirá categorização quanto ao formato, ao tamanho e a cor. A identificação dos polímeros, por espectroscopia Raman, será conduzida em 10% das amostras. Medidas rigorosas são tomadas para garantir o controle da contaminação, incluindo a análise de brancos. A interpretação dos dados utilizará histogramas e testes estatísticos adequados. Por fim, espera-se que os resultados deste projeto ampliem o conhecimento sobre a contaminação por MPs no krill antártico e subsidiem ações de prevenção e mitigação da poluição plástica em regiões remotas.