“Fala que eu te escuto, uai”: descrição acústica das espécies de morcegos da Serra do Cipó, Minas Gerais, Brasil
Bioacústica, campos rupestres, Chiroptera, morcegos, monitoramento acústico.
O monitoramento acústico é um método de amostragem não invasivo, confiável e economicamente acessível. Dentre os grupos animais que podem ser acusticamente monitorados, os morcegos merecem destaque, pois seus sinais de ecolocalização são conspícuos (i.e., uma vez emitidos podem ser gravados) e são majoritariamente espécie-específicos (i.e., é possível identificar as espécies emissoras pelos sinais emitidos. Grande parte dos estudos de morcegos são ainda realizados utilizando redes de captura (redes de neblina) ao nível do solo, sendo mais eficazes para amostrar espécies pertencentes à família Phyllostomidae. Monitoramentos acústicos preenchem este viés amostral. Tais estratégias são especialmente úteis para regiões ricas em espécies, pouco amostradas, e que experimentam pressões para a conservação da sua biodiversidade. Minas Gerais é um destes exemplos. O estado é rico em ambientes, incluindo desde extensas porções de Mata Atlântica até cerrados e áreas de transição ecológica, e conta com a Cordilheira do Espinhaço, reserva da biosfera da UNESCO, e um reconhecido centro de endemismo, que abriga várias espécies ameaçadas de extinção. Parte da Cordilheira do Espinhaço, a região da Serra do Cipó é reconhecida pela sua altíssima biodiversidade, incluindo os campos rupestres e campos de altitude (Fernandes et al. 2020). Parte da Serra do Cipó e de outras porções de Minas Gerais são protegidas por unidades de conservação federais, estaduais e municipais. Ainda assim, Minas Gerais situa-se há vários anos entre os estados que mais contribuem para a perda de remanescentes de Mata Atlântica, e suas porções mais altas - em especial os campos rupestres - estão entre os ambientes mais pressionados e ameaçados do bioma. Este projeto de pesquisa apresenta a estrutura da dissertação ““Fala que eu te escuto, uai”: descrição acústica das espécies de morcegos da Serra do Cipó, Minas Gerais, Brasil”, junto ao Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada da Universidade Federal de Lavras – UFLA. A dissertação será composta por dois capítulos, que visam a) caracterizar a riqueza deas espécies de morcegos da região da Serra do Cipó, em Minas Gerais, por meio deusando ferramentas bioacústicas, b) disponibilizar essas informações por meio de uma sonoteca, e c) avaliar a eficiência de um programa de monitoramento acústico em curso no Parque Nacional da Serra do Cipó para o registro de espécies de morcegos.