Novas espécies troglóbias do gênero Spelunconiscus (Isopoda: Styloniscidae) para regiões cársticas neotropicais: implicações taxonômicas, filogenéticas e de conservação.
biodiversidade cavernícola, troglóbios, Synocheta, Styloniscidae, Brasil
Várias novas espécies do até então monoespecífico gênero Spelunconiscus foram descobertas em uma área de aproximadamente 385 km² em uma paisagem neotropical, a Província Espeleológica de Arcos-Pains-Doresópolis, Brasil. O presente trabalho teve como objetivo descrever 17 novas espécies de Spelunconiscus dessa região, juntamente com uma tabela comparativa contendo todas as espécies do gênero. Elas diferem de S. castroi principalmente pelos estetascos na antenúla, pela forma do endópodo do pleópodo 2 e pelo tamanho corporal. Além disso, é proposta uma filogenia morfológica para o gênero. Dois principais clados podem ser diferenciados: (1) espécies de grande porte corporal e com transição abrupta entre o pereon e o pleon; e (2) espécies menores, com largura subigual dos pereonitos e pleonitos (corpo mais fusiforme). Esses dois clados ocorrem em diferentes unidades geomorfológicas da Província Espeleológica de Arcos-Pains-Doresópolis. A conservação dessas espécies é motivo de preocupação, considerando seu caráter endêmico e a forte pressão exercida por atividades mineradoras e agrícolas na região. A descrição de uma diversidade tão notável em uma área pequena e ameaçada estabelece Arcos-Pains-Doresópolis como um “hotspot” de isópodes troglóbios, uma vez que, proporcionalmente, não há outra região no mundo com tamanha riqueza de isópodes congenéricos.