ESPECTRO DE LUZ E ADUBAÇÃO VERDE NO CRESCIMENTO, METABOLISMO ANTIOXIDANTE E PRODUÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE Mentha pulegium L.
Poejo; Malhas fotoconversoras; Crotalaria juncea; Metabolismo antioxidante; Pulegona.
Mentha pulegium L. é uma espécie medicinal e aromática amplamente utilizada devido ao teor de compostos bioativos presentes em seu óleo essencial, cuja produção e composição são influenciadas pelas condições ambientais e pelo manejo nutricional. Objetivou-se avaliar os efeitos da qualidade espectral da luz e da adubação verde sobre o crescimento, o metabolismo antioxidante, a produção de biomassa e a composição química do óleo essencial de M. pulegium. Foram conduzidos dois estudos. No primeiro, plantas foram cultivadas sob pleno sol e malhas fotoconversoras azul, vermelha e preta, durante o verão e a primavera. No segundo, avaliaram-se diferentes doses de biomassa de Crotalaria juncea (0, 150, 300, 450 e 600 g vaso⁻¹), e adubação química, em dois ciclos de cultivo. i) A qualidade espectral da luz influenciou significativamente o crescimento, o metabolismo antioxidante e a biossíntese de metabólitos secundários. O cultivo a pleno sol proporcionou o maior desempenho agronômico, alcançando 19,23 g planta⁻¹ de matéria seca de folhas, 33,50 g planta⁻¹ de matéria seca de caules e 88,70 g planta⁻¹ de matéria seca total, além do maior rendimento de óleo essencial. A primavera favoreceu o crescimento da espécie, promovendo incremento de aproximadamente 37% na matéria seca de raízes, bem como maiores teores de carotenoides, flavonoides e óleo essencial. As malhas fotoconversoras alteraram principalmente a qualidade fisiológica e fitoquímica das plantas: a malha vermelha aumentou os teores de clorofilas e flavonoides, enquanto a malha azul elevou a concentração de pulegona em 4,5% no verão e 58,6% na primavera em relação ao pleno sol. A pulegona permaneceu como constituinte majoritário do óleo essencial, variando de 35,44 a 65,04%, sem alteração do quimiotipo da espécie. A análise de componentes principais evidenciou associação entre o cultivo a pleno sol e as variáveis de crescimento e rendimento de óleo essencial, enquanto a malha azul se correlacionou com a biossíntese de pulegona. ii) A incorporação de C. juncea promoveu expressivos incrementos no crescimento, na produtividade e na qualidade fisiológica de M. pulegium. A dose de 600 g vaso⁻¹ elevou a matéria seca total em 264% no cultivo de verão/outono e em 161% no de outono/inverno, em relação ao controle, refletindo a melhoria da fertilidade do solo pelo aumento da matéria orgânica e da disponibilidade de nutrientes. As doses intermediárias (150–450 g vaso⁻¹) proporcionaram os maiores teores de óleo essencial, atingindo 1,18% no cultivo de verão/outono e 1,01% no de outono/inverno, enquanto as doses de 450 e 600 g vaso⁻¹ proporcionaram os maiores rendimentos (0,54 e 0,23 g planta⁻¹, respectivamente), em função do maior acúmulo de biomassa. A composição química do óleo essencial também foi influenciada pela adubação verde, mantendo a pulegona como constituinte majoritário, com variação de 59,92 a 63,80% no cultivo de verão/outono e de 36,55 a 53,02% no cultivo de outono/inverno, acompanhada por alterações nos teores de mentona (1,66–6,50% e 9,16–13,04%) e isomentona (1,48–1,75% e 14,46–29,55%), evidenciando que a adubação verde modulou a biossíntese dos principais monoterpenos sem alterar o quimiotipo da espécie. O cultivo de M. pulegium na primavera, sob pleno sol e a aplicação de 600 g vaso⁻¹ de C. juncea, constituem estratégias mais eficientes para maximizar o crescimento, a produção de biomassa e o rendimento do óleo essencial. Quando o objetivo é aumentar a concentração de pulegona, a utilização da malha fotoconversora azul mostra-se mais adequada.