Efeitos da adição de carbono e a interação com espécies diferentes de macrófitas e de Desmonostoc sp. sobre a plasticidade morfológica de Cronbergia amazonensis.
heterócitos; razão C-N; FBN; competição; interação cianobactéria-macrófita.
As cianobactérias foram os primeiros organismos a realizarem a fotossíntese oxigênica e contribuíram para o grande evento de oxigenação da atmosfera. Elas possuem grande plasticidade morfológica e ecológica, sendo encontradas em todos os lugares do planeta. Dentro do grupo de cianobactérias, destacamos as cianobactérias filamentosas heterocitadas, que são capazes de produzir células especializadas que aumentam ainda mais sua plasticidade adaptativa, como acinetos (células que atuam como esporo de resistência) e heterócitos. Os heterócitos são células capazes de realizar a fixação biológica de nitrogênio (N2) em situações de pouca disponibilidade de nitrogênio no ambiente ou de desequilíbrio da razão carbono-nitrogênio (C-N). Cianobactérias filamentosas heterocitadas podem estabelecer relações com macrófitas, como as cianobactérias epifíticas, que se aderem às raízes de macrófitas e podem fornecer nitrogênio fixado para a planta, formando, junto com outras cianobactérias e algas, parte do perifíton. O presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da adição de carbono ao meio, a interação com diferentes tipos de macrófitas (Pistia stratiotes e Salvinia auriculata) e a presença de outra cianobactéria na plasticidade morfológica de Cronbergia amazonensis. A adição de carbono em duas concentrações (1% de glicose e 3% de glicose) foi estressante para C. amazonensis, que aumentou o número de heterócitos soltos (não funcionais), diminuiu o número de heterócitos presos ao filamento, não aumentou o número de heterócitos e foi observado a produção de acinetos, indicativos de estresse. No entanto, apesar das cianobactérias do tratamento com adição de 3% de glicose morrerem após 10 dias, no tratamento com 1% de glicose, após cerca de 45 dias do fim do experimento, C. amazonensis voltou a crescer, produzindo novos filamentos, o que destaca sua grande habilidade adaptativa. Na interação com S. auriculata junto com o consórcio com outra cianobactéria, C. amazonensis apresentou filamentos menores, já o número de heterócitos e a razão entre heterócitos por células vegetativas foram maiores na interação com P. stratioites junto com o consórcio com outra cianobactéria, além disso, C. amazonensis apresentou heterócitos maiores em interação com P. stratioites, independentemente da presença ou não de outra cianobactéria. C. amazonensis apresentou plasticidade morfológica tanto com a adição de carbono no meio quanto na interação com diferentes macrófitas e com outra cianobactéria, o que demonstra a sua capacidade adaptativa às diferentes mudanças ambientais.