EFEITO DE DOSES CRESCENTES DE NITROGÊNIO E POTÁSSIO NOS PARÂMETROS MORFOFISIOLÓGICOS EM MUDAS DE OLIVEIRA (Olea europaea L.)
Olea europaea; Nutrição mineral; Vigor de mudas; Potássio; Nitrogênio.
A expansão da olivicultura para novas fronteiras agrícolas, especificamente para regiões de clima tropical de altitude como a Serra da Mantiqueira, no Sudeste do Brasil, impõe desafios técnicos significativos, nomeadamente na produção de material propagativo de elevada qualidade fitotécnica. A literatura científica carece de protocolos específicos de nutrição mineral para a fase juvenil da oliveira (Olea europaea L.) sob estas condições edafoclimáticas distintas, o que frequentemente conduz à adoção de práticas empíricas ou à extrapolação inadequada de recomendações de olivais adultos. O presente estudo teve como objetivo avaliar, de forma exaustiva, o comportamento morfofisiológico, a cinética de crescimento e a partição de biomassa de três cultivares de oliveira de importância econômica — 'Arbosana', 'Grappolo 541' e 'Koroneiki' — submetidas a regimes crescentes de fertilização nitrogenada e potássica. O experimento foi conduzido em ambiente protegido (casa de vegetação) na Universidade Federal de Lavras (UFLA), Minas Gerais, utilizando um delineamento em blocos casualizados em esquema fatorial 3x4 (3 cultivares x 4 doses). As mudas foram submetidas a doses de nitrogênio (0, 100, 200 e 400 mg kg⁻¹) e potássio (0, 50/100, 150/200 e 400 mg kg⁻¹), com avaliações biométricas periódicas e análise destrutiva final para quantificação de matéria seca. Os resultados revelaram interações genótipo-ambiente complexas e não lineares, refutando a hipótese de que o aumento linear da fertilização resulta invariavelmente em maior vigor. A cultivar 'Arbosana', caracterizada pelo seu baixo vigor natural, demonstrou severa intolerância a doses elevadas de nitrogênio, evidenciando sintomas de fitotoxicidade salina e supressão de crescimento (redução de 37,8% na altura na dose máxima), mas respondeu positivamente a doses muito elevadas de potássio, sugerindo uma alta demanda por osmorregulação para compensar o seu porte reduzido. A cultivar 'Koroneiki' exibiu elevada plasticidade fenotípica, com sensibilidade a doses intermediárias de nitrogênio, mas uma resposta biométrica robusta ao potássio, maximizando o diâmetro do caule em doses intermédias. A 'Grappolo 541' manteve um padrão de crescimento normal, mostrando-se a cultivar mais rústica e menos responsiva às diferentes doses de adubo, indicando um metabolismo conservador. Conclui-se que o manejo nutricional em viveiro não deve ser generalizado; a 'Arbosana' requer um protocolo de "dieta magra" em nitrogênio e "luxo" em potássio, enquanto a 'Koroneiki' demanda precisão para evitar o consumo de luxo e toxicidade. Estes dados fornecem uma base científica para a "olivicultura de precisão" na fase de viveiro, essencial para a sustentabilidade e eficiência econômica do setor no Brasil.