ADESIVO PVAC/NFC PARA LAMINAÇÃO DE PAPEL KRAFT: OTIMIZAÇÃO DE DOSAGEM
E IMPACTO NO DESEMPENHO MECÂNICO
Lignocelulósicos, compósitos de papel, multicamadas, celulose microfibrilada
O presente trabalho investigou o desempenho mecânico e físico de compósitos multicamadas de papel kraft colados com adesivo de acetato de polivinila (PVAc) modificado com nanofibrilas de celulose contendo lignina (NFC-L). A pesquisa insere-se no contexto de desenvolvimento de materiais sustentáveis de base lignocelulósica, visando otimizar a rigidez, resistência e uniformidade de compósitos estruturais obtidos a partir de fontes renováveis. Foram preparadas formulações contendo 0 % (controle), 1 % e 1,5 % de NFC-L em massa seca, dispersas mecanicamente em adesivo PVAc comercial, sendo posteriormente aplicadas entre vinte folhas de papel kraft de 200 g m⁻², formando corpos de prova com 19 linhas de cola. Após cura completa, os espécimes foram submetidos a ensaios de flexão em quatro pontos (MOR, LOP e MOE) e a testes de absorção de água para avaliar alterações estruturais e de desempenho. Os resultados indicaram que a incorporação de NFC-L não promoveu aumento significativo de resistência (MOR) nem de rigidez (MOE) nas condições estudadas, embora tenha reduzido a dispersão dos valores e conferido maior uniformidade mecânica. O limite de proporcionalidade (LOP) apresentou tendência de redução em 1,5 %, possivelmente associada à maior viscosidade e ao efeito de bloqueio parcial da coalescência da matriz polimérica. O comportamento foi coerente com a literatura, que destaca a existência de uma “janela ótima estreita” de incorporação de nanofibrilas, dependente da dispersão e da química superficial do reforço. Em contrapartida, observou-se ganho moderado de deformabilidade e tenacidade, sugerindo que a NFC-L atua redistribuindo tensões e conferindo maior capacidade de absorção de energia antes da ruptura. A análise das curvas tensão–deformação confirmou que 1 % de NFC-L representa o ponto de equilíbrio mais adequado entre rigidez e ductilidade, enquanto 1,5 % favorece maior deformação, mas com perda parcial de módulo e resistência. Esses achados corroboram estudos prévios que relacionam o desempenho do PVAc reforçado com NFC ao grau de dispersão, ao teor de lignina residual e às interações interfaciais via ligações de hidrogênio. Conclui-se que a modificação do PVAc com NFC-L permite modular suas propriedades mecânicas, desde que haja controle rigoroso das condições de formulação e dispersão, o que abre perspectivas para a aplicação desses compósitos em sistemas de colagem estrutural sustentáveis e de baixo impacto ambiental.