Avaliação térmica e mecânica em gesso modificado com acetato de celulose.
Gesso, Gesso Modificado, Acetato de Celulose, Cigarro.
A indústria da construção civil tem buscado alternativas sustentáveis para a redução de impactos ambientais, destacando-se o desenvolvimento de novos materiais que incorporem resíduos industriais e urbanos. Nesse contexto, o acetato de celulose, proveniente de filtros de cigarros apreendidos e destinados a pesquisas por meio do projeto Inova Receita, surge como uma matéria-prima potencial para a modificação de matrizes cimentícias. Este trabalho teve como objetivo avaliar a viabilidade técnica da produção de compósitos de gesso modificado com a incorporação de diferentes teores volumétricos de acetato de celulose (0, 5, 10 e 15%), visando o aprimoramento de propriedades térmicas e mecânicas. Para a confecção dos corpos de prova, utilizou-se gesso com umidade relativa de aproximadamente 5,2% e uma relação gesso/água fixa de 0,75, com homogeneização mecânica a 2000 rpm. A caracterização do material compreendeu ensaios de resistência à compressão axial, fundamentados na norma ABNT NBR 5739:2018, e ensaios de condutividade térmica realizados em uma câmara produzida a partir de materiais reutilizados, com instrumentação via Arduino. Os resultados parciais revelaram que o tratamento com 5% de acetato de celulose (GM1) promoveu uma melhora significativa no desempenho mecânico, atingindo uma média de 4,05 MPa, valor superior ao gesso puro (2,77 MPa). Na avaliação térmica, o tratamento com 10% de acetato (GM2) demonstrou a maior eficácia isolante, com um acréscimo de 6,81 °C no gradiente térmico em relação ao controle (p < 0,0001), sem ganho estatístico ao elevar a concentração para 15%. Para a complementação do estudo, estão previstos ensaios de resistência à tração na flexão (ABNT NBR 13279:2005) e análise via Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV). Os resultados obtidos até o momento indicam que a incorporação do resíduo em teores controlados oferece uma solução promissora para o desenvolvimento de materiais renováveis com alto potencial tecnológico e baixo impacto ambiental, retornando para a cadeia produtiva um material que seria incinerado.