A (des)construção estética de Jardim Zoológico: uma poética de sintomas e tensões
bestiário, animalário, zooliteratura contemporânea, sintoma
O presente trabalho busca analisar de que modo o animalário Jardim Zoológico (1999) de Wilson Bueno reescreve criticamente a tradição dos bestiários Medievais e Renascentistas, buscando compreender em que medida essa produção cultural é atravessada pelo que Georges Didi-Huberman (2013) designa como um sintoma, ao constituir-se por um complexo de tensões e diálogos, convergências e disparidades, em suma, uma rede de relações que a conectam com a tradição zoopoética e zooliterária ocidental, ao mesmo tempo em que situam-na em um território de reordenamentos filosóficos, ontológicos e estéticos, os quais refletem as discussões sobre a representação dos seres não humanos na contemporaneidade. Essa pesquisa parte de hipóteses construídas com base na reflexão dialógica entre o corpus elencado, os conceitos estético-filosóficos estudados, dentre os quais ressaltamos o informe de Bataille (2018), e o montante bibliográfico atrelado à tradição zooliterária ocidental, adotando uma abordagem qualitativa, bibliográfica e exploratória. A partir dos aspectos analisados, é possível observar que a obra de Bueno se desenvolve a partir de uma dinâmica paradoxal, pois estabelece relações disjuntivas em diferentes níveis e instâncias, sem deixar de concretizar um projeto estético que possibilita outros modos de representação dos seres não humanos e da animalidade, e outros modos de produzir sentidos e saberes sobre ambos.