Memória, hibridização e violência epistêmica em O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk
Memória; Hibridização; Violência epistêmica; Colonialidade; Resistência.
A dissertação analisa O som do rugido da onça (2021), de Micheliny Verunschk, como uma narrativa que tensiona as formas hegemônicas de construção da história ao articular memória, hibridização e violência epistêmica no contexto da colonialidade. A partir da trajetória de personagens como Iñe-e e Juri, o estudo evidencia como o romance expõe os mecanismos de apagamento, objetificação e reconfiguração identitária impostos pelo projeto colonial, ao mesmo tempo em que inscreve a memória como prática de resistência e contra-arquivo. Nesse movimento, a hibridização não é entendida como síntese harmônica, mas como experiência ambígua e dolorosa, marcada por deslocamentos e negociações forçadas, que dão origem a sujeitos liminares. Por fim, a dissertação demonstra como a obra mobiliza estratégias narrativas que desestabilizam alguns paradigmas epistemológicos ocidentais, afirmando a literatura como espaço de resistência, reinscrição de vozes silenciadas e emergência de outras formas de conhecimento.