O CÉU SOB O OLHAR DAS CRIANÇAS: EVIDÊNCIAS DE APRENDIZAGEM NA CONSTRUÇÃO DE CONCEITOS ASTRONÔMICOS A PARTIR DE UMA SITUAÇÃO- PROBLEMA
Situação-Problema; Astronomia Cultural; Crianças; Ensino de ciências.
A astronomia faz parte do nosso cotidiano, não é algo estranho a ele. Ela está presente tanto nas tecnologias que utilizamos, quanto no ambiente, na vida, na passagem do tempo. Compreender a astronomia é poder compreender o céu, e compreender o céu é ter a possibilidade de compreender a realidade e viver melhor nela. Quanto mais elementos temos para compreender a realidade em que vivemos, mais complexas são as relações que conseguimos estabelecer na leitura da realidade. E a realidade se amplia na medida em que temos mais elementos cognitivos para compreendê-la. O objetivo do trabalho é depreender de que maneira as crianças do Projeto Curumim interpretam, elaboram e atribuem sentidos uma situação-problema relacionadas a fenômenos astronômicos, investigando os processos de construção, reorganização e transformação desses modos de interpretação ao longo do tempo, a partir da análise qualitativa de suas escolhas, superando abordagens avaliativas restritas à dicotomia entre acerto e erro. O corpus da pesquisa é composto por uma situação-problema aplicada no ano de 2024 a um grupo de seis alunos, cujas respostas foram organizadas em tabela, possibilitando a análise do desempenho apresentado pelos participantes. Esses resultados indicam que os erros observados não decorrem de desconhecimento conceitual, mas de uma integração incompleta entre diferentes referenciais explicativos. As crianças não operam com concepções aleatórias ou fragmentadas, mas com modelos coerentes internamente, ainda que parciais. A situação-problema, ao alternar entre referenciais locais e globais, evidencia o conflito entre esses modelos e torna visível a dificuldade de coordenação entre eles. Assim, a análise da situação-problema evidencia que a aprendizagem dos eclipses envolve não apenas a aquisição de informações astronômicas, mas a construção progressiva da capacidade de coordenar referenciais espaciais distintos, integrando experiência cotidiana, mediação social e modelos científicos.