GÊNESE DOS CORPOS RACIALIZADOS NO SISTEMA CAPITALISTA: LEITURA DA OBRA “PELE NEGRA, MÁSCARAS BRANCAS”, DE FRANTZ FANON.
Capitalismo; racismo; ontologia; exploração; expropriação.
A respectiva dissertação possui como objetivo apresentar uma análise ontológica
sobre a gênese dos corpos racializados a partir do sistema capitalista, haja vista a
persistência, na contemporaneidade, das discriminações raciais. A problemática
central a ser trabalhada gira em torno da seguinte questão: existe algum vínculo
entre o racismo estrutural e a manutenção do sistema capitalista? De acordo com
essa problemática, será realizada pesquisa bibliográfica, em torno da obra Pele
Negra, Máscaras Brancas, de Frantz Omar Fanon. O estudo da obra se justifica,
devido à necessidade de examinar a formação histórica do capitalismo alinhado ao
surgimento da ideia de superioridade racial, dado a vinculação crucial entre esses
dois elementos para o funcionamento do ciclo de exploração e expropriação. Para
tanto, será abordada a construção e manutenção da subjetividade racial, com o
intuito de demonstrar o caráter predatório do capitalismo frente a sua necessidade
de reprodução, tendo em vista que para sua perpetuação se faz necessário a
subjugação de elementos sociais, nesse caso as pessoas negras. Devido a isso,
entende-se que a criação das categorias humanas raciais não foi um acontecimento
de ordem paralela, mas sim intrínseca à consolidação do capitalismo. Nesse viés, a
crítica fanoniana explicita como a racialização opera com o intuito de alienar e
desumanizar o indivíduo negro, gerando sequelas vinculadas a sua identidade que
se perpetuam mesmo após o fim da escravidão moderna. Assim, o estudo sobre as
teorias de Fanon se torna necessário, uma vez que os problemas vinculados às
discriminações raciais não podem ser considerados apenas como fatos históricos do
passado, além disso, devem ser compreendidos como um elemento estrutural para
o desenvolvimento da atividade econômica. Por fim, a contribuição que se busca
apresentar reside em oferecer uma interpretação ontológica sobre a criação dos
corpos racializados, como uma vertente de formação e perpetuação do sistema
capitalista.