Empirismo e linguagem no Ensaio sobre o Entendimento Humano, de John Locke
Locke. Linguagem. Empirismo. Significação. Abstração.
Esta pesquisa investiga o papel da linguagem no projeto da teoria do conhecimento de John Locke no Ensaio sobre o Entendimento Humano (1689), buscando compreender em que medida a linguagem se apresenta como fundamental para o processo do conhecimento. Neste sentido, defendemos a hipótese de que a teoria da linguagem é consequência necessária do debate sobre a origem e os limites do conhecimento. Para tanto, analisaremos como, no Livro I, Locke refuta o inatismo, demonstrando que princípios e ideias não estão impressos originariamente na mente, o que, de algum modo, parece-nos pressupor que a linguagem é um meio de acesso ao conteúdo do conhecimento dos demais sujeitos que conhecem. Ainda com esse propósito, analisaremos o Livro II, em que a teoria das ideias estabelece que todo conhecimento deriva da experiência, e a abstração, operação pela qual a mente forma ideias gerais, constitui a condição para a linguagem. Por fim, no Livro III, analisaremos como Locke desenvolve sua filosofia da linguagem. Buscaremos mostrar como a linguagem não é um tema periférico, mas o desdobramento necessário da investigação sobre o entendimento humano, revelando que a racionalidade é inseparável dos signos pelos quais se expressa.