Microsatellite Marker Development and Genetic Diversity of Australian Toona ciliata Populations
cedro-australiano; marcadores SSR; genômica; diversidade genética; melhoramento florestal.
Toona ciliata M. Roem. (Meliaceae), o cedro-australiano, é uma espécie florestal de madeira nobre cultivada no Brasil a partir de germoplasma introduzido da Austrália. Apesar de sua crescente importância econômica, a espécie ainda carece de ferramentas moleculares específicas e de conhecimento sobre a variabilidade genética que sustenta os plantios e programas de melhoramento no país. Este trabalho teve como objetivos caracterizar os microssatélites (SSR) do genoma de T. ciliata, desenvolver marcadores específicos para a espécie e empregá-los na avaliação da diversidade genética, da estrutura populacional e do isolamento por distância de subpopulações australianas representadas em um teste de procedências e progênies introduzidas no Brasil. Utilizando-se o programa MISA, foram identificados 51.369 SSRs, com densidade média de 103,05 SSRs/Mb e distribuição relativamente homogênea entre os 28 cromossomos da espécie. Predominaram as repetições di (48%) e mononucleotídicas (43%) ricas em A/T, e os SSRs se concentraram em regiões intergênicas (76,1%), padrão típico de genomas de dicotiledôneas. Foram desenhados 30 pares de primers, distribuídos em 21 cromossomos. Desses, 26 foram validados e 22 mostraram-se multialélicos, com média de 4,7 alelos por loco. Seis desses marcadores foram aplicados na genotipagem de 175 indivíduos de 11 subpopulações australianas avaliadas em um teste de procedências e progênies instalado em Campo Belo, MG. Os marcadores apresentaram, em média, 13,2 alelos por loco e conteúdo de informação polimórfica de 0,78. A diversidade genética foi alta ( = 0,741; riqueza alélica média = 5,960), com déficit de heterozigotos ( = 0,263) compatível com cruzamentos entre indivíduos aparentados. A diferenciação entre subpopulações foi moderada (ΦST = 0,1045), com 89 % da variação dentro das subpopulações. A análise bayesiana identificou três grupos genéticos com extensa mistura e sem correspondência direta com a geografia. O isolamento por distância foi significativo, porém fraco, com correlação entre divergência genética e distância geográfica de 0,325 (p = 0,0036). A diferenciação neutra foi menor que a divergência quantitativa para volume de madeira, o que sugere contribuição da seleção natural no crescimento das árvores. Em conjunto, este trabalho apresenta uma caracterização inédita dos microssatélites em escala genômica para T. ciliata e disponibiliza marcadores específicos e informativos. Mostra ainda que o germoplasma introduzido no Brasil reúne ampla variabilidade genética e constitui importante reserva ex situ da espécie. A seleção de indivíduos superiores deve manter representantes dos três grupos genéticos e considerar o parentesco entre os selecionados.