TRANSMISSÃO E EFEITOS DE Cercospora kikuchii EM SEMENTES DE SOJA
Fitopatologia, Glycine max, Mancha púrpura, Patologia de Sementes
Em razão da grande importância econômica da soja na economia global, torna-se essencial o estudo do desempenho de suas sementes na presença do patógeno Cercospora kikuchii, amplamente distribuído nas principais regiões produtoras dessa cultura. Considerando a escassez de informações mais precisas sobre essa associação, além da crescente relevância desse patossistema, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da presença de C. kikuchii sobre o desempenho inicial da cultura, bem como compreender os mecanismos de transmissão a partir de sementes inoculadas. Para isso, sementes de uma cultivar 96R10IPRO foram inoculadas com dois isolados de C. kikuchii (CMLAPS251 e CMLAPS255) durante períodos de 36, 72, 108 e 144 horas, originando quatro níveis de inóculo, NI36, NI72, NI108 e NI144, respectivamente. Os efeitos do patógeno sobre o desempenho das sementes foram avaliados por meio de testes de sanidade, germinação, condutividade elétrica e cultivo inicial em câmara de crescimento. A incidência de C. kikuchii nas sementes aumentou progressivamente de acordo com os níveis de inóculo, atingindo 74% para o isolado CMLAPS251 e 89% para CMLAPS255 no NI144. Para germinação, observou-se redução significativa nas médias alcançadas, com 59% para CMLAPS251 e 49% para CMLAPS255, ambos no NI144. A condutividade elétrica aumentou com a presença do patógeno, refletindo maior liberação de exsudatos pelas sementes no NI144, com médias de 160,1 µS cm⁻¹ g⁻¹ (CMLAPS251) e 151 µS cm⁻¹ g⁻¹ (CMLAPS255). As variáveis relacionadas ao desempenho inicial da cultura, como índice de velocidade de emergência, estande inicial e final, altura de plântulas, peso de parte aérea de planta fresca e seca, e índice de doença, também foram negativamente impactadas com o aumento dos níveis de inóculo. Esses efeitos foram mais pronunciados no cultivo sob temperatura de 27 °C, principalmente para o isolado CMLAPS255, que apresentou médias superiores em relação ao isolado CMLAPS251 na maioria dos testes. Além disso, verificou-se que a porcentagem de morte em pré-emergência aumentou proporcionalmente ao incremento dos níveis de inóculo nas sementes. A temperatura de cultivo de 27°C favoreceu maiores taxas de mortalidade, chegando a 42%, para o isolado CMLAPS255 com NI144, em comparação a temperatura de 23°C, que chegou a 34% no mesmo nível de inóculo. A maior taxa de transmissão total do patógeno da semente para a planta foi de 48%, observada no maior nível de inóculo (NI144) sob a temperatura de 27 °C.