IDENTIFICACÃO E SENSIBILIDADE À FUNGICIDAS DE DIFERENTES ESPÉCIES DE Alternaria PROVENIENTES DE POMARES DE TANGERINA DE MINAS GERAIS
Resistência a Fungicidas, Doenças dos Citros, Espécies de Altrnaria
As alternarioses são doenças que refletem em elevada perda econômica em cultivos de citros ao redor do mundo. No Brasil, em especial, cidades do interior e região metropolitana do Estado de Minas Gerais, os pomares de tangerinas e seus híbridos possuem grande importância econômica e social, entretanto, a maior parte desses pomares são compostos por cultivares suscetíveis a doenças causadas por fungos do gênero Alternaria, e manejo dessas doenças é baseado no controle químico com fungicidas sítio-específicos, entretanto os relatos de resistência se intensificaram nos últimos anos. Como forma de avaliar a presença de espécies de Alternaria, sua distribuição nos pomares do Estado de Minas Gerais e a sensibilidade a triazóis, estrobilurinas e carboxamidas, foram coletados folhas e frutos em sete munícipios onde haviam plantas com sintomas característicos de alternarioses. Os isolados obtidos foram submetidos a teste de patogenicidade, análise de características morfológicas e sequenciamento do gene Alt a1(Alternaria major allergen) empregado de forma exploratória. A macromorfologia e micromorfologia das colônias dos isolados apresentaram características condizentes com o gênero Alternaria. E como forma de verificar a sensibilidade a fungicidas foram avaliados 58 isolados nas doses discriminatórias de 1 µg mL-1 (piraclostrobina e tebuconazol)e 5 µg mL-1 (boscalida e fluxapiroxade), entre eles foram selecionados 30 isolados para a determinação da EC50 (concentração capaz de inibir em 50% o crescimento micelial ou germinação) para boscalida, fluxapiroxade, difenoconazol e tebuconazol. Com base no teste de patogenicidade, 6 isolados causaram sintomas em folhas de tangelo, em 6 isolados os sintomas foram em folhas de tangelo e laranja ou limão, e 9 isolados em folhas de tangerina, limão e laranja. De acordo com o gene Alt a1, quatro prováveis espécies de Alternaria foram identificadas: A. alternata, A. gossypina, A. longipes e A. tomato. Um novo clado foi formado com 6 dos isolados em estudo, como forma de aprofundar a identificação foram sequenciadas as regiões TEF 1α (translation elongation fator 1-alpha) e GAPDH (glyceraldehyde-3-phosphate dehydrogenase), sendo necessários mais genes para a confirmação da espécie. A detecção de espécies, além de A. alternata, indicam que tangerinas e seus híbridos são suscetíveis há um maior número de espécies do gênero Alternaria do que se acreditava anteriormente. Quanto a sensibilidade a fungicidas, a frequência de isolados resistentes foi: 36,66%, 33,33%, 16,67% e 96,67% para boscalida, fluxapiroxade, difenoconazol e tebuconazol, respectivamente. Foram avaliados parâmetros de custo adaptativo e, pode-se observar relação direta entre resistência a fungicidas que atuam na respiração fúngica e o aumento da sensibilidade ao stress osmótico e oxidativo. Foi detectada resistência cruzada positiva entre boscalida e fluxapiroxade em isolados oriundos da região norte de Minas Gerais.