ALTERAÇÕES ANATÔMICAS E BIOQUÍMICAS EM CAFEEIRO RESISTENTE E SUSCETÍVEL A FERRUGEM
Resposta de defesa; Hemileia vastatrix; haustório; Resposta Hipersensitiva.
O café é amplamente consumido no mundo, com produção concentrada em poucos países, destacando-se o Brasil como maior produtor. No entanto, o cultivo é severamente afetado pela ferrugem do cafeeiro, causada por Hemileia vastatrix, responsável por intensa desfolha e perdas produtivas. A elevada capacidade de disseminação do patógeno, associada à complexidade da interação com o hospedeiro e ao alto custo de manejo, torna essencial o aprofundamento dos mecanismos de resistência do cafeeiro. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi caracterizar a interação entre cafeeiro e H. Vastatrix por meio da análise integrada de respostas bioquímicas, anatômicas e ultraestruturais ao longo do tempo, em uma cultivar resistente (Arara) e uma suscetível (Catuaí Vermelho IAC 144). Foram conduzidos três experimentos em casa de vegetação. No primeiro, utilizou-se delineamento em blocos casualizados, em parcelas subdivididas no tempo, avaliando-se abertura estomática, atividade das enzimas fenilalanina amônia-liase (PAL), peroxidase (POX), quitinase (QUI) e glucanase (GLU), compostos fenólicos solúveis totais, lignina solúvel e peroxidação lipídica (quantificação do malondialdeído-MDA). O segundo experimento confirmou a resistência e suscetibilidade das cultivares por meio da área abaixo da curva de progresso da doença (AACPD). O terceiro foi destinado à análise ultraestrutural por microscopia eletrônica de varredura (MEV), associada à remoção da epiderme foliar das cultivares avaliadas. A cultivar Arara apresentou ativação precoce dos mecanismos de defesa, evidenciada pelo aumento na atividade de PAL, POX e QUI aos 5 dias após a inoculação, com atividade relativa ao tratamento controle (plantas sem inoculação) de1,37; 1,80; 5,31 e 1,80 vezes maior para as enzimas PAL, POX, QUI e GLU, respectivamente. Nesse período, também observou-se aumento nos teores de compostos fenólicos e lignina, indicando intensificação da via dos fenilpropanoides e lignificação. Além disso, a cultivar Arara apresentou aumento inicial de MDA no 1º dia, seguido de redução, indicando controle do dano oxidativo. Por outro lado a cultivar Catuaí Vermelho IAC 144 apresentou aumento de MDA a partir do 5º dia, com níveis elevados ao longo do periodo avaliado, sugerindo dano oxidativo progressivo. Nas análises por MEV foi possivel observar que entre 12 e 72 horas após a inoculação houve formação de urediniósporos, tubos germinativos e apressórios em ambas as cultivares. A partir do 5º dia, observou-se perda de turgor dessas estruturas em ambas cultivares. Aos 30 dias, houve formação de pústulas apenas na cultivar suscetível. Pós a remoção da epiderme, verificou-se que, na cultivar Catuaí IAC 144, houve desenvolvimento de hifas a partir do 5º dia após a inoculação e formação de haustórios aos 30 dias. Em contraste, na cultivar Arara, não foram observadas estruturas fúngicas no interior dos tecidos vegetais. Os resultados demonstram que a resistência da cultivar Arara está associada à ativação precoce e coordenada de mecanismos bioquímicos e estruturais, impedindo o estabelecimento do fungo no tecido hospedeiro.