BIOTECNOLOGIA E BIOINSUMOS NO DESEMPENHO AGRONOMICO E PRODUÇÃO DE METABÓLITOS SECUNDÁRIOS EM PLANTAS DE ALHO E TOMATE
BPCP, resiliência vegetal, déficit hídrico, cultura de tecidos, enxofre, metabolismo secundário, Solanum lycopersicum, Allium sativum.
Este estudo investigou estratégias biotecnológicas e bioinsumos para otimizar o desempenho agronômico e a produção de metabólitos secundários em Allium sativum (cv. Ito) e Solanum lycopersicum (cv. Ibiza) sob condições de estresse. O estudo integrou a análise da nutrição mineral e o uso de bioinsumos como ferramentas para aumentar a resiliência vegetal. No experimento com alho cultivado in vitro, a disponibilidade de enxofre (S) demonstrou ser um fator determinante tanto para o desenvolvimento morfológico quanto para a identidade bioquímica da planta. A ausência total de enxofre (0,0 g/L) inviabilizou a formação de bulbos e comprometeu drasticamente a biomassa total, evidenciando que este nutriente é indispensável para a transição do crescimento vegetativo para o produtivo. A dose de 0,16 g/L foi identificada como o ponto ótimo para o acúmulo de matéria seca nos bulbos e para o desenvolvimento de características morfológicas superiores, como maior área e diâmetro. Quanto ao metabolismo secundário do alho, o enxofre atuou como precursor essencial na biossíntese de tiossulfinatos, cujos teores nos bulbos aumentaram gradualmente com a suplementação, atingindo o pico na dose de 0,64 g/L. Observou-se uma modulação distinta entre crescimento e defesa: enquanto doses intermediárias favoreceram a biomassa, a dose mais elevada (1,28 g/L) potencializou significativamente a capacidade antioxidante total (DPPH e ABTS) e os teores de compostos fenólicos nos bulbos, sugerindo um redirecionamento do fluxo metabólico para mecanismos de proteção em condições de excesso nutricional. Além disso, a suplementação de S influenciou a dinâmica de açúcares totais, fundamentais para fornecer esqueletos de carbono e energia para a síntese de compostos organossulfurados. No experimento com tomateiro, avaliou-se a eficácia de Azospirillum brasilense Bacillus amyloliquefaciens na mitigação do estresse hídrico (100%, 50% e 25% de reposição de irrigação). A restrição hídrica reduziu a altura e conteúdo de DNA, porém a coinoculação bacteriana promoveu aumentos significativos no diâmetro do caule, comprimento de raiz e massa seca. Bioquimicamente, as bactérias modularam a homeostase redox, elevando a atividade das enzimas SOD, CAT e APX, além de influenciar o acúmulo de prolina e pigmentos fotossintéticos como estratégia adaptativa. A interação entre lâminas de irrigação e inoculantes também regulou a produção de fenólicos e flavonoides, reforçando o papel das bactérias promotoras de crescimento na plasticidade fisiológica da cultura. Os resultados evidenciam que a nutrição mineral precisa de enxofre e o uso de bioinsumos microbianos constituem pilares complementares para uma agricultura sustentável e resiliente para as culturas estudadas.