DESENVOLVIMENTO IN VITRO DA BATATA-DOCE (Ipomoea batatas (L.) Lam.) SOB DIFERENTES INTENSIDADES E QUALIDADES DE LUZ E VENTILAÇÃO NATURAL
Micropropagação; fotomorfogênese; produção de amido; membrana alternativa.
A batata-doce (Ipomoea batatas (L) Lam.) é uma cultura de grande importância nutricional e socioeconômica, com ampla adaptabilidade em regiões tropicais e subtropicais. A propagação convencional dessa espécie apresenta limitações, como a transmissão de doenças e a heterogeneidade genética, o que torna o cultivo in vitro uma alternativa eficiente para a produção de mudas sadias, uniformes e livres de patógenos. Objetivou-se avaliar os efeitos da intensidade luminosa, dos diferentes espectros e do sistema de ventilação natural sobre o crescimento in vitro da batata-doce. Adotou-se o delineamento inteiramente casualizado (DIC). Para a intensidade luminosa, foram testados cinco níveis (26, 51, 69, 94 e 130 µmol m⁻² s⁻¹) fornecidos por LEDs, com 7 plântulas por repetição em cada tratamento, totalizando 140 plântulas. No experimento de qualidade de luz, utilizaram-se oito tratamentos: LED branca, 100% vermelha, 100% azul, 100% verde, 100% amarela, e combinações de azul e vermelha nas proporções 70%A:30%V, 30%A:70%V e 50%A:50%V, com cinco repetições e cinco tubos por repetição, totalizando 200 plântulas. O Sistema de Ventilação Natural (SVN), foi realizado utilizando frascos sem filtro (controle – SVN0) e com 1 (SVN1), 2 (SVN2) e 4 (SVN4) filtros de membrana porosa, em cinco repetições com 10 tubos cada, somando 200 plântulas. Os segmentos nodais foram cultivados em meio MS suplementado com 30 g L⁻¹ de sacarose, 6 g L⁻¹ de ágar, pH 5,7 ± 0,1, por 60 dias, a 26 ± 1 °C, sob fotoperíodo de 16 horas. Foram avaliados o comprimento do maior broto, número de folhas e biomassa seca da folha, do caule, da raiz e do total. Os resultados mostraram que intensidades de 94 e 130 µmol m⁻² s⁻¹ promoveram maior alongamento de brotos (6,52 e 6,29 cm) e acumularam mais biomassa seca da folha (35,68 mg), caule (16,97 mg), raiz (13,98 mg) e total (65,53 mg), além de maiores teores de proteínas e amido. Intensidades mais baixas (26 e 51 µmol m⁻² s⁻¹) favoreceram a síntese de pigmentos fotossintéticos. Quanto à qualidade espectral, a luz verde, a branca e as combinações 1V:2A e 1V:1A destacaram-se no número de folhas (7,04–8,00) e no comprimento de brotos (6,63–6,96 cm). Luz branca promoveu maior biomassa foliar (20,21 mg), luz azul estimulou o caule (47,92 mg) e a biomassa total (77,16 mg). Fenóis e flavonoides totais foram maiores sob luz azul (2,79 mg EAG g⁻¹ e 6,18 mg EQ g⁻¹). Entre os sistemas de ventilação, SVN4 apresentou maior biomassa de folha (19,82 mg), caule (3,13 mg), raiz (5,97 mg) e total (28,92 mg), além de maior teor de proteínas e amido, enquanto SVN2 teve o maior número de folhas (1,62) e o maior comprimento de brotos (5,22 cm). Os flavonoides totais foram mais altos em SVN0 (2,72 EQ) e menores em SVN1 (1,13 EQ). A intensidade luminosa, a qualidade da luz e a ventilação natural influenciam o crescimento, a biomassa e o metabolismo das plântulas de batata-doce, impactando seu desenvolvimento para as etapas subsequentes de aclimatização e de cultivo.