Reengenharia do gosto: A adaptação da competência no surgimento de uma nova categoria de
vinhos.
Competência cultural; Ritualização, Legitimação simbólica; Cultura do consumo, Engenharia do gosto
Este estudo, tem como objetivo investigar como o gosto pelos vinhos de inverno produzidos em
Minas Gerais é socialmente construído e legitimado pelos consumidores por meio de suas práticas.
Guiado pelos pressupostos da Engenharia do Gosto e da Teoria da Cultura do Consumo, o estudo
objetiva compreender como os sujeitos desenvolvem competência cultural, mobilizam critérios de
avaliação e reorganizam seus hábitos diante de uma inovação produtiva. A pesquisa utilizou uma
abordagem qualitativa e interpretativa, fundamentada em 20 entrevistas em profundidade com
consumidores de diferentes níveis de engajamento, selecionados por amostragem em cadeia
(snowball), até atingir a saturação teórica. Os dados foram analisados com a técnica de análise de
Conteúdo temática, buscando identificar os mecanismos de aprendizado e legitimação adotados pelos
participantes. Os resultados destacam que a competência no consumo de vinhos é sustentada por
processos de benchmarking institucional, autodidatismo e escalonamento cooperativo. Além disso, o
estudo identifica o fenômeno da reengenharia do gosto, revelando que o vinho de inverno não é
assimilado como mera extensão do vinho tradicional, mas como uma categoria emergente que exige
um segundo movimento de aprendizado. O estudo também evidencia que os consumidores
recalibram seus critérios de qualidade, adotam uma nova gramática baseada na técnica da dupla poda
e no território, e reconfiguram práticas de acesso e ocasião de consumo. Nas contribuições da pesquisa
do ponto de vista acadêmico está a proposição da categoria analítica de reengenharia do gosto, expandindo o
modelo teórico original para contextos de inovação e lançamento de novas categorias de produtos. Em termos de contribuição prática, os resultados fornecem estratégias para gestores de vinícolas e profissionais de
turismo e marketing territorial, incentivando estratégias baseadas em narrativas técnico-territoriais e
experiências imersivas. Por fim, a pesquisa contribui para a valorização dos produtos locais,
demonstrando como a legitimidade de mercados emergentes depende de uma infraestrutura social de
reconhecimento e de uma educação ativa do consumidor.