INICIATIVAS PARA A ADOÇÃO E DIFUSÃO DE TECNOLOGIAS DIGITAIS POR PEQUENOS E MÉDIOS PRODUTORES DE CAFÉ NO HUILA- COLÔMBIA
Cafeicultura, Agricultura digital; Competitividade rural; Difusão de inovações; Huíla.
Os avanços em tecnologias digitais transformaram a cafeicultura ao otimizar os processos produtivos, aumentar a eficiência operacional e promover a sustentabilidade, resultando em ganhos de produtividade e qualidade do café. A incorporação dessas inovações tecnológicas também ampliou as oportunidades de inserção em mercados digitais, como plataformas eletrônicas e marketplaces, alinhando a produção às crescentes exigências do mercado global e contribuindo para a melhoria da renda e da qualidade de vida dos cafeicultores. Nesse cenário, o fortalecimento da competitividade de pequenos e médios cafeicultores esteve intrinsecamente ligado à participação em redes cooperativas, as quais desempenharam um papel estratégico na adoção e difusão de inovações, no acesso às tecnologias de informação e comunicação (TICs) e na redução das barreiras tecnológicas e organizacionais. O presente estudo objetivou analisar os fatores que influenciaram a adoção e a difusão de tecnologias digitais entre pequenos e médios cafeicultores do Huila, Colômbia, identificando perfis de adoção e o papel da cooperativa nesse processo. A pesquisa, de natureza qualitativa e quantitativa, com caráter exploratório-descritivo, foi conduzida em três etapas: uma revisão da literatura, que visou detalhar as principais tecnologias digitais utilizadas na cafeicultura; a aplicação de questionários estruturados a 78 produtores; e a realização de nove entrevistas semiestruturadas com representantes de diferentes perfis tecnológicos. Os dados quantitativos foram analisados por meio de estatística descritiva e da Análise de Correspondência Múltipla (ACM), combinada com a Classificação Hierárquica em Componentes Principais (HCPC), enquanto a etapa qualitativa utilizou a análise de conteúdo categorial. Como resultados, identificou-se que a digitalização no Huila apresentou caráter incipiente, estando concentrada principalmente em ferramentas de comunicação, como o WhatsApp, e em consultas climáticas, enfrentando barreiras como a precária conectividade rural e o baixo nível de escolaridade dos produtores. A análise de clusters, fundamentada nas tipologias de Everett Rogers (2003) e Geoffrey Moore (2021), permitiu classificar os produtores em quatro perfis: a Maioria Tardia (Cluster 1), caracterizada por um perfil tradicional, predominante e resistente a mudanças; a Maioria Inicial (Cluster 2), com postura pragmática em relação à adoção tecnológica; os Visionários (Cluster 3), compostos majoritariamente por jovens escolarizados, porém limitados pela infraestrutura disponível; e os Inovadores (Cluster 4), que atuaram como laboratórios vivos de experimentação tecnológica. As iniciativas propostas para superar os abismos de difusão enfatizaram a necessidade de assessoria técnica personalizada, a criação de protocolos de inovação aberta entre a ciência e o campo e a promoção de mentorias entre pares, baseadas em casos de sucesso regional. Conclui-se que a transformação digital na cafeicultura do Huila requer uma abordagem multidimensional que transcenda a instrução técnica, priorizando o letramento digital e a ressignificação do campo como um ambiente de gestão estratégica e competitividade sustentável.