GESTÃO SOCIAL DO IFMG CAMPUS FORMIGA: UMA PROPOSTA PARADIGMÁTICA
Gestão Social. Cidadania Deliberativa. Pedagogia Crítica. DRPE. IFMG Campus Formiga. Desenvolvimento Regional.
A atuação dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) é atravessada por uma tensão dialética intrínseca entre a racionalidade burocrático-instrumental e a missão de promover o desenvolvimento regional e a emancipação humana. Esta tese investiga o problema do distanciamento entre a prática gerencial e a proposta pedagógica original do IFMG Campus Formiga, questionando se o seu atual paradigma de gestão atende aos objetivos de desenvolvimento local e autonomia estudantil. O objetivo geral consistiu em compreender, analisar e caracterizar o modelo de gestão da instituição, fundamentando-se nas categorias da Gestão Social, da Cidadania Deliberativa e da Pedagogia Crítica. A metodologia seguiu um desenho de pesquisa multidimensional e qualitativo, estruturado em quatro fases sequenciais: 1) análise da gênese histórica e das expectativas da comunidade via Análise Crítica do Discurso (ACD) de reportagens e documentos; 2) reconstrução do processo de formalização administrativa; 3) diagnóstico da gestão institucional contemporânea; e 4) avaliação da percepção de atores externos e egressos. O aporte teórico-metodológico utilizou a perspectiva de Fairclough e a teoria da ação comunicativa de Habermas para interpretar as “mini esferas públicas” que pautaram a criação do campus. A intervenção prática foi operacionalizada por meio do Diagnóstico Rápido Participativo Emancipador (DRPE), envolvendo uma equipe interdisciplinar e uma amostra de 32 atores sociais (docentes, técnicos, discentes e sociedade civil organizada) em processos de escuta ativa e triangulação de dados.Os resultados evidenciaram um paradoxo institucional: embora o campus tenha se consolidado como um centro de excelência acadêmica e técnica, padece de uma “insularidade institucional” que enfraqueceu os vínculos dialógicos com o território. A análise demonstrou que as promessas de desenvolvimento regional integrado foram, em parte, substituídas por uma lógica de verticalização decisória. No que tange aos egressos, os achados indicam que a instituição obtém êxito na qualificação para o mercado, mas apresenta lacunas na formação de sujeitos transformadores, resultando em “peças de excelência” para a engrenagem produtiva que carecem de protagonismo na cidadania deliberativa. A percepção da sociedade civil corroborou esse diagnóstico, revelando um descompasso estratégico entre a oferta curricular e as necessidades reais do arranjo produtivo local, caracterizando o campus como uma “oportunidade subaproveitada” pelo entorno. As considerações finais apontam que o isolamento das chefias e a carência de pertencimento são sintomas de um modelo tecnocrático que se afastou da gestão social. A tese culmina na proposição e validação do Modelo Conceitual de Gestão Social (MCGS) para o IFMG Campus Formiga. Este modelo, fundamentado na racionalidade comunicativa, atua como uma tecnologia social capaz de romper a verticalidade administrativa e institucionalizar o diálogo como eixo estratégico. Conclui-se que a transição para este paradigma é o “inédito viável” necessário para reverter a insularidade e efetivar o compromisso dos IFs com a emancipação social. O estudo reafirma que a eficácia institucional não deve ser medida apenas por indicadores de desempenho técnico, mas por sua porosidade às demandas sociais e por sua capacidade de forjar cidadãos autônomos e comprometidos com o bem comum.