ESFERAS PÚBLICAS E TATUAGEM NO BRASIL
tatuagem; esferas públicas; transformação social; tatuador
O estudo analisou a formação das esferas públicas em torno da prática da tatuagem no Brasil nos últimos 30 anos. Sob a perspectiva da Teoria da Ação Comunicativa, o estudo descreveu como a opinião pública influencia e/ou foi influenciada por esta prática cultural. O tema foi abordado considerando as percepções de tatuadores e usuários, bem como as transformações históricas, sociais e normativas relacionadas à tatuagem no país. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, combinando análise documental de normas sanitárias, projetos de lei e decisões judiciais; entrevistas semiestruturadas com tatuadores, dermatologistas e usuários; e netnografia em mídias digitais, com observação sistemática de postagens e interações relacionadas à prática. A análise foi organizada em três arenas interdependentes: (i) arena normativa, que evidenciou a objetivação técnica e sanitária da atividade; (ii) arena comunicacional, marcada pela circulação digital de discursos sobre biossegurança, reputação e identidade; e (iii) arena experiencial, na qual emergem narrativas identitárias, disputas simbólicas e reclassificações do corpo tatuado. Este estudo se torna relevante por explorar um tema pouco investigado sob a ótica das esferas públicas e pelo debate que promove em torno da tatuagem como prática cultural. Ao abordar o fenômeno, tanto em suas dimensões históricas quanto discursivas, o estudo contribui com a ampliação da compreensão sobre os processos de ressignificação cultural e legitimação social na contemporaneidade. Ao final, o estudo evidenciou que a tatuagem, no Brasil contemporâneo, condensa sentidos múltiplos que não se reduzem, nem ao estigma histórico, nem à estética de mercado. Ela opera como linguagem social inscrita no corpo, capaz de materializar memória, pertencimento, luto, desejo, trajetória e afirmação identitária, ao mesmo tempo em que envolve técnica, cuidado e responsabilidade sanitária.