Eficiência de mercado e conectividade dinâmica em commodities agrícolas: uma análise comparativa entre os mercados internacional e brasileiro
Eficiência de mercado; Conectividade dinâmica; Interdependência; Commodities agrícolas; Covid-19; Mercados futuros; Mercado à vista.
A pandemia da Covid-19 intensificou a instabilidade nos mercados globais e ampliou as discussões sobre a
eficiência de mercado, conectividade dinâmica e interdependência entre commodities agrícolas, especialmente em ambientes marcados por elevada volatilidade e forte integração internacional. Nesse contexto, compreender como choques exógenos afetam o funcionamento desses mercados tornou-se relevante para a literatura financeira e para a gestão de risco no agronegócio. Esta tese teve como objetivo analisar a dinâmica de funcionamento dos mercados de commodities agrícolas (soja, milho e café arábica), com ênfase na eficiência de mercado, na conectividade dinâmica e na interdependência, nos mercados futuros internacionais (CME, ICE) e no mercado brasileiro (B3 e CEPEA), considerando os impactos da Covid-19. Para isso, a pesquisa foi estruturada em três artigos complementares. O primeiro artigo realizou uma análise bibliométrica da produção científica sobre eficiência de mercado e conectividade dinâmica em commodities agrícolas no período de 1979 a 2024, para mapear tendências emergentes, lacunas na literatura e identificar novas oportunidades de pesquisa.
Os resultados evidenciaram que o campo ainda se encontra em processo de consolidação, caracterizado pela
heterogeneidade metodológica e pela crescente incorporação de abordagens dinâmicas e não lineares. O
segundo artigo avaliou a eficiência dos mercados das commodities agrícolas, analisando os impactos da
pandemia da Covid-19, por meio da Magnitude de Ineficiência de Mercado Ajustada (AMIM). Nesta
pesquisa, os resultados demonstraram que a eficiência de mercado apresenta comportamento dinâmico,
heterogêneo e fortemente sensível a choques exógenos. Observou-se uma estrutura hierárquica de eficiência,
na qual os mercados futuros internacionais apresentam maior capacidade de absorção de choques e
manutenção relativa da eficiência, o mercado futuro brasileiro assumiu posição intermediária e o mercado à vista apresentou maior persistência de ineficiências. O terceiro artigo analisou a conectividade dinâmica e a
interdependência dos retornos e da volatilidade dos retornos das commodities agrícolas (soja, milho e café), no
período de 2015 a 2025, aplicando o Modelo de Autorregressão Vetorial com Parâmetros Variáveis no Tempo
(TVP-VAR). Esta pesquisa evidenciou que a pandemia promoveu uma intensificação temporária da
conectividade entre os mercados, com ampliação da transmissão de retorno e volatilidade, com a soja se
destacando como principal emissora de incertezas. O milho apresentou comportamento relativamente mais
autônomo, enquanto o café exibiu padrão intermediário, variando conforme o tipo de mercado analisado. No
período pós-pandemia, verificou-se a redução da conectividade e da intensidade da transmissão de choques,
indicando um processo de reequilíbrio sem alteração estrutural permanente no funcionamento dos mercados. A
integração dos achados permitiu propor a Arquitetura Dinâmica de Interdependência e Eficiência em Mercados
de Commodities (ADIE-MC), segundo a qual eficiência de mercado, conectividade dinâmica e interdependência
constituem dimensões simultaneamente determinadas dentro de uma mesma estrutura adaptativa de mercado.
Assim, a principal contribuição teórica da tese consiste em avançar da análise isolada da eficiência ou da
conectividade para uma interpretação relacional e sistêmica dos mercados agrícolas, permitindo compreender
como esses mercados se reorganizam diante de choques exógenos e regimes de elevada incerteza.