PRÁTICAS ESG E DESEMEPENHO ECONÔMICO-FINANCEIRO DAS EMPRESAS LISTADAS NO INDÍCE DE SUSTENTABILIDADE DA BRASIL BOLSA E BALCÃO
ESG; sustentabilidade corporativa; desempenho econômico-financeiro; ISE B3; finanças sustentáveis; mercado de capitais
As práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) têm ganhado crescente relevância no contexto corporativo, tornando-se elementos estratégicos para a gestão organizacional, a competitividade empresarial e a tomada de decisão dos investidores e stakeholders. A ampliação das demandas por transparência e responsabilidade socioambiental tem levado as organizações a incorporarem critérios ESG em suas estratégias, buscando não apenas conformidade regulatória, mas também a geração de valor sustentável no longo prazo. Nesse cenário, a adoção dessas práticas passou a ser considerada um indicador relevante da capacidade das empresas em gerenciar riscos e promover a sustentabilidade de suas operações. Paralelamente, observa-se um crescimento significativo da produção científica sobre a relação entre práticas ESG e desempenho econômico-financeiro. Apesar desse avanço, os resultados permanecem inconclusivos e, em muitos casos, divergentes. Enquanto alguns estudos evidenciam impactos positivos sobre rentabilidade, valor de mercado e redução de riscos, outros identificam efeitos neutros ou negativos, em função de diferenças metodológicas, contextos institucionais e características dos mercados analisados. Essa lacuna torna-se ainda mais relevante em economias emergentes, como a brasileira, onde as evidências empíricas são limitadas em comparação aos mercados desenvolvidos. Diante desse contexto, esta dissertação tem como objetivo de analisar a relação entre as práticas ESG e o desempenho econômico-financeiro das empresas brasileiras listadas na B3, com destaque para aquelas que compõem o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE B3). Busca-se compreender de que forma a adoção dessas práticas pode influenciar indicadores financeiros e de mercado, contribuindo para a geração de valor corporativo e para a competitividade empresarial. Para alcançar esse objetivo, o estudo foi estruturado em dois artigos científicos complementares. O primeiro consiste em uma revisão sistemática da literatura associada à análise bibliométrica, com o propósito de mapear o estado da arte das pesquisas sobre ESG e desempenho econômico-financeiro. Essa etapa visa identificar a evolução temporal das publicações, os principais autores, periódicos e instituições de pesquisa, bem como as lacunas existentes na literatura. O segundo artigo possui caráter empírico e tem como finalidade verificar a influência das práticas ESG sobre o desempenho das empresas analisadas, utilizando indicadores relacionados à rentabilidade, estrutura de capital, valor de mercado e criação de valor. A relevância desta pesquisa está associada à crescente incorporação dos critérios ESG nas decisões de investimento, à consolidação do ISE B3 como referência de sustentabilidade corporativa no mercado brasileiro e à necessidade de ampliar as evidências empíricas sobre os efeitos dessas práticas no desempenho organizacional. Espera-se que os resultados contribuam para o avanço do conhecimento em finanças sustentáveis, fornecendo subsídios teóricos e gerenciais para pesquisadores, gestores, investidores e demais stakeholders interessados na compreensão dos impactos da sustentabilidade corporativa sobre a criação de valor e o desempenho das empresas.