AS ENCRUZILHADAS DO ACESSO E DA PERMANÊNCIA ESTUDANTIL DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NA UNIVERSIDADE
Deficiências; Interseccionalidade; Capacitismo; Permanência; Ensino Superior.
Esta pesquisa investiga como as políticas e práticas institucionais de acesso e permanência estudantil em uma Instituição Federal de Ensino Superior (IFES) dialogam — ou entram em tensão — com as experiências interseccionais de estudantes com deficiência, analisando suas implicações para a reprodução ou o enfrentamento do capacitismo na universidade. Parte-se da compreensão de que a ampliação do acesso ao ensino superior, impulsionada pelas políticas de cotas e de inclusão, não garante, por si só, condições efetivas de permanência e pertencimento acadêmico. Ancorada na interseccionalidade como teoria social crítica e nos Estudos Críticos da Deficiência, a pesquisa sustenta que as experiências universitárias de estudantes com deficiência são atravessadas por múltiplos sistemas de opressão, como capacitismo, racismo, sexismo e classismo, os quais influenciam diretamente seus processos de inclusão, reconhecimento e pertencimento. Nesse sentido, questiona-se em que medida as políticas institucionais consideram tais experiências interconectadas ou permanecem restritas a uma lógica de inclusão formal. A investigação será desenvolvida em uma IFES de Minas Gerais e adotará uma abordagem qualitativa. O primeiro eixo analítico buscará compreender as trajetórias de acesso, permanência e pertencimento de estudantes com deficiência por meio da história oral temática e da análise de narrativas. O segundo eixo analisará documentos institucionais e entrevistas com gestores e profissionais responsáveis pelas políticas de acesso, permanência, inclusão e acessibilidade, visando compreender como a instituição interpreta e operacionaliza essas políticas. A tese que orienta o estudo é que a educação inclusiva, quando limitada à inclusão formal e atravessada por racionalidades neoliberais, não é suficiente para promover uma universidade efetivamente anticapacitista. Defende-se que o enfrentamento das desigualdades exige políticas de acesso e permanência capazes de reconhecer as experiências interseccionais dos estudantes e de produzir condições materiais e simbólicas de pertencimento. Como contribuição, a pesquisa pretende ampliar o debate sobre deficiência, pertencimento e permanência no ensino superior, oferecendo subsídios teóricos e institucionais para a formulação de práticas e políticas anticapacitistas orientadas à justiça social.