Choques Tarifários e Reconfiguração do Comércio Exterior Brasileiro: Uma Análise Estrutural das Relações com China, União Europeia e BRICS
Este estudo tem como objetivo analisar a reconfiguração do comércio exterior brasileiro em um contexto de transição para um paradigma de geoeconomia e instabilidade geopolítica, no qual tarifas, barreiras regulatórias, acordos comerciais e outros instrumentos econômicos passam a ser mobilizados com finalidades estratégicas. O problema central consiste em verificar se a ampliação recente dos fluxos comerciais brasileiros expressa ganhos estruturais de competitividade externa ou oportunidades conjunturais decorrentes de choques geoeconômicos externos. A análise concentra-se, inicialmente, nos efeitos da Guerra Comercial EUA–China, especialmente no desvio de comércio provocado pelas tarifas retaliatórias chinesas contra produtos norte-americanos, que beneficiou setores brasileiros intensivos em commodities. Em seguida, examina-se a centralidade da China como principal parceira comercial do Brasil e o papel dos BRICS, considerando tanto as possibilidades de cooperação, digitalização e redução de barreiras institucionais quanto a persistência da especialização primária e da chamada “armadilha das commodities”. Também são discutidos os desafios do Acordo Mercosul–União Europeia diante do novo protecionismo regulatório europeu, exemplificado pelo Regulamento de Produtos Livres de Desmatamento (EUDR). Metodologicamente, o estudo utiliza um modelo gravitacional estrutural estimado por Poisson Pseudo-Maximum Likelihood (PPML), incorporando resistências multilaterais e fluxos comerciais nulos. Espera-se identificar se os choques tarifários, a centralidade chinesa e as novas exigências regulatórias europeias produziram ganhos comerciais sustentáveis ou reforçaram vulnerabilidades estruturais da inserção externa brasileira.