Rankings e indicadores de cidades inteligentes como instrumentos de gestão urbana: entre a produção científica e a percepção dos gestores públicos municipais brasileiros
Cidades inteligentes; Rankings; Indicadores; Gestão pública municipal; Gestores.
Os rankings e indicadores de cidades inteligentes vêm se consolidando como instrumentos de mensuração, comparação e suporte à tomada de decisão na gestão urbana contemporânea, ao sintetizarem em métricas comparáveis dimensões econômicas, sociais, ambientais e tecnológicas dos territórios. Apesar de sua crescente influência, persistem lacunas quanto à sistematização do campo e quanto à compreensão de como tais instrumentos são percebidos e utilizados por quem deles é, simultaneamente, objeto e usuário. Diante disso, esta dissertação tem por objetivo analisar os rankings de cidades inteligentes enquanto instrumento de gestão urbana, articulando a produção científica sobre o tema com a percepção dos gestores públicos municipais brasileiros acerca de seus indicadores e usos. Estruturada no formato de coletânea, a pesquisa compreende dois artigos complementares e a produção de um produto tecnológico. O primeiro, de natureza bibliométrica, mapeia a produção científica internacional e nacional sobre rankings e indicadores de cidades inteligentes, a partir de um corpus de 1.730 documentos extraídos das bases Web of Science, Scopus e SciELO e analisados com o pacote Bibliometrix, em ambiente R. Seus resultados revelam um campo em expansão, estruturado em três frentes de pesquisa, denominadas fundante, crítico-reflexiva e operacional, e marcado pela escassez de estudos voltados a realidades urbanas do Sul Global. Como contribuição propositiva, propõe-se um framework analítico-crítico para a avaliação de rankings, organizado em cinco dimensões: abrangência conceitual, robustez metodológica, sensibilidade contextual, legitimidade participativa e utilidade para a gestão pública. O segundo artigo, de natureza empírica e qualitativa, encontra-se em desenvolvimento e volta-se a investigar, por meio de entrevistas com gestores públicos, como esses atores percebem a relevância, a aplicabilidade e as limitações dos indicadores que compõem os rankings, tomando as cinco dimensões do framework como referência analítica. Como desdobramento aplicado, prevê-se a elaboração de um produto tecnológico voltado à gestão pública municipal, cuja configuração será definida a partir dos achados do segundo artigo. Espera-se, ao confrontar os achados da literatura com a percepção dos gestores, contribuir para a discussão de indicadores mais aderentes à realidade urbana brasileira.