GRUPOS REFLEXIVOS NO ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: ANÁLISE DAS EXPERIÊNCIAS DESCRITAS NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA BRASILEIRA DE JANEIRO DE 2020 A JUNHO DE 2025
grupos reflexivos; violência doméstica; homens autores de violência;
políticas públicas; responsabilização.
Esta dissertação analisa como a produção científica brasileira tem abordado os
grupos reflexivos para homens autores de violência doméstica, considerando sua
inserção nas políticas públicas de enfrentamento à violência contra as mulheres. A
pesquisa possui abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e documental, orientada
pela metapesquisa e pela análise de conteúdo. A busca foi realizada no Portal de
Periódicos CAPES, contemplando publicações entre 2020 e julho de 2025. Após a
exclusão de duplicidades e a triagem por aderência ao objeto, foram selecionados 35
trabalhos, sistematizados segundo as categorias: enfoque da experiência, base
institucional, metodologia utilizada, número de encontros, instrumentos de avaliação,
resultados atribuídos, tensões ou limitações e região do país. Entre os estudos que
analisaram diretamente experiências de grupos reflexivos com homens autores de
violência doméstica, predominou o enfoque educativo, reflexivo e socioeducativo,
associado à responsabilização, à discussão das masculinidades e à problematização das
relações de gênero. Os resultados também evidenciaram presença significativa do Poder
Judiciário na organização e no encaminhamento das experiências, diversidade
metodológica, utilização predominante de práticas participativas e diferentes formas de
avaliação e acompanhamento. Entre os resultados atribuídos pelos estudos destacaram-
se a reflexão e a mudança de percepção, a ressignificação de comportamentos, a
melhoria da comunicação e a possibilidade de redução da reincidência. Em
contrapartida, foram identificados desafios relacionados à resistência dos participantes,
à estrutura institucional, à formação das equipes, ao financiamento, à continuidade dos
programas e à avaliação de seus resultados. Conclui-se que os grupos reflexivos
constituem estratégia complementar de enfrentamento à violência doméstica, cuja
consolidação como política pública demanda institucionalização, financiamento,
equipes capacitadas, parâmetros metodológicos, registros e avaliação, articulação em
rede e manutenção da proteção das mulheres como elemento central da intervenção.