DESAFIOS DA INCLUSÃO E ACOLHIMENTO EDUCACIONAL DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA VISUAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA NA PERSPECTIVA DOS SUJEITOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO.
Educação inclusiva; educação especial; acolhimento educacional; deficiência visual; práticas pedagógicas.
A presente pesquisa, inserida no campo da educação especial e inclusiva, teve como objetivo investigar o processo de inclusão e o acolhimento educacional de estudantes com deficiência visual em escolas estaduais vinculadas à Superintendência Regional de Ensino de Teófilo Otoni, na perspectiva dos gestores escolares e especialistas da educação básica envolvidos no processo. O estudo parte do pressuposto de que o acolhimento educacional é uma dimensão fundamental para a efetivação da inclusão, pois envolve escuta, diálogo e reconhecimento das singularidades dos estudantes, contribuindo para sua participação, permanência e aprendizagem no ambiente escolar. Argumenta-se que a educação inclusiva transcende o acesso à escola, exigindo transformações nas práticas pedagógicas e na organização institucional. Nesse contexto, o acolhimento é compreendido como prática contínua e elemento estruturante de uma cultura escolar inclusiva. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, com dados de apoio quantitativo. O estudo de campo foi realizado em escolas estaduais, e a produção dos dados envolveu a aplicação de questionários eletrônicos. A análise foi conduzida pela técnica de análise de conteúdo, conforme Bardin, permitindo a categorização e interpretação em diálogo com o referencial teórico adotado. Os resultados evidenciaram que o acolhimento de estudantes com DV é reconhecido pelos participantes como prática relevante, sobretudo na recepção inicial. Contudo, as análises indicaram que estas ações ainda são, em muitos casos, pouco sistematizadas, ficando frequentemente dependentes de iniciativas individuais dos profissionais, o que revela fragilidades na organização institucional. Além disso, foram identificados desafios cruciais relacionados à formação continuada dos profissionais, à disponibilidade de recursos pedagógicos acessíveis e à ausência de diretrizes claras para orientar a prática. Tais achados apontam para um descompasso entre os avanços normativos da educação inclusiva e sua implementação efetiva no cotidiano escolar. Conclui-se que o acolhimento educacional deve ser compreendido como um processo contínuo, intencional e articulado, que requer planejamento institucional, investimento na formação e um compromisso coletivo com a construção de práticas pedagógicas inclusivas. Como contribuição, a pesquisa propõe a elaboração de um Guia de Orientações, com o intuito de subsidiar as escolas na organização de ações de acolhimento mais estruturadas e efetivas, favorecendo a plena inclusão de estudantes com deficiência visual.