REFORMAS CURRICULARES E A DESPROFISSIONALIZAÇÃO DOCENTE: PERCEPÇÕES E IMPACTOS NO ENSINO MÉDIO MINEIRO
Reformas curriculares. Desenvolvimento profissional. Desprofissionalização. Formação docente. Novo Ensino Médio.
A trajetória da educação pública brasileira é marcada por descontinuidades e tensões entre o discurso normativo e a realidade escolar, cenário agravado pelas recentes reformas curriculares, notadamente a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Novo Ensino Médio (NEM). Nesse contexto, a presente pesquisa investiga como os docentes da rede estadual de Minas Gerais percebem os descompassos entre as propostas curriculares (CRMG e NEM), sua formação (inicial e continuada) e sua prática cotidiana, analisando os impactos dessas dinâmicas no desenvolvimento profissional. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem de métodos mistos, estruturada em revisão sistemática da literatura, análise documental e pesquisa de campo. A coleta de dados envolveu a aplicação de questionários a 51 docentes e a realização de entrevistas semiestruturadas, cujos dados foram processados via análise estatística descritiva e análise de conteúdo com auxílio do software IRAMUTEQ. Os resultados evidenciam que a imposição de currículos percebidos como descontextualizados, somada à fragilidade das formações, reduz o docente à condição de executor de regras técnicas. Identificou-se que a autonomia pedagógica é cerceada pelo excesso de demandas burocráticas e pela pressão de avaliações externas, gerando sentimentos de despreparo e frustração. Conclui-se que os hiatos entre o currículo prescrito e a realidade escolar fragilizam a identidade e a prática docente, configurando um processo de desprofissionalização. Como produto educacional, propõe-se o FOCAR, um fórum de formação continuada em contexto e compartilhamento em rede.