O PAPEL DA GESTÃO ESCOLAR NA CONSTRUÇÃO DE INDICADORES DE UMA ESCOLA ACOLHEDORA
Acolhimento. Gestão democrática. Indicadores. Autonomia. Alteridade. Paulo Freire. Martin Buber. Emanuel Lévinas.
Em um contexto de relações cada vez mais fluidas, rápidas e superficiais, fenômeno intensificado pela pandemia da COVID-19, o acolhimento escolar emerge como elemento essencial para promover aprendizagens significativas, garantir o bem-estar dos estudantes e sustentar processos educativos mais humanos e equitativos. A fragilização dos vínculos sociais e a intensificação de vulnerabilidades emocionais e socioeconômicas entre crianças e jovens demandam que as instituições de ensino assumam papel ativo na construção de ambientes seguros, integradores e sensíveis às necessidades da comunidade escolar. Nesse cenário, compreender como a gestão escolar atua na criação de práticas e políticas de acolhimento torna-se fundamental para qualificar o clima institucional, favorecer a permanência e fortalecer a confiança dos estudantes na escola pública. Assim, esta dissertação buscou investigar como estudantes da rede pública do Estado de Minas Gerais percebem a atuação da gestão escolar na construção de indicadores de acolhimento, considerando que a percepção discente constitui fonte legítima de avaliação e pode orientar processos de tomada de decisão. Sabe-se que o bom desempenho da gestão escolar é fundamental para ressignificar o ambiente educacional como um espaço acolhedor, impactando positivamente todos os atores nele envolvidos. Sua relevância é garantida pela Constituição Federal (CF), pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e pelo Plano Nacional de Educação (PNE) que asseguram a gestão democrática como elemento vital para a democratização do ensino. Os objetivos específicos incluem: revisão bibliográfica voltada à identificação de estudos, conceitos e práticas relacionadas ao acolhimento, à gestão democrática e às abordagens éticas do relacionamento educacional, fundamentando-se em referenciais que concebem a educação como encontro dialógico e espaço de responsabilidade mútua; análise da percepção dos estudantes relacionadas ao acolhimento, tais como rotinas institucionais, comunicação, participação, mediação de conflitos e promoção de bem-estar emocional. Como produto educacional derivado da pesquisa, elaborou-se um e-book composto por narrativas pedagógicas que representam diferentes realidades de estudantes, com foco em estratégias de acolhimento que promovam inclusão, pertencimento e a valorização da diversidade no ambiente escolar. Uma escola acolhedora valoriza o bem-estar dos estudantes, promovendo comprometimento, participação e sucesso educacional. A percepção dos estudantes pode colaborar para aprimorar o trabalho da gestão, tornando o ambiente mais democrático, seguro e inclusivo. A gestão escolar envolve toda a equipe, não apenas o diretor, e deve acolher a diversidade e promover a equidade entre todos os seus integrantes. A metodologia adotada tomou-se como base as contribuições de perspectivas humanistas e éticas que sustentam a centralidade das relações na formação, articulando diálogo, autonomia, alteridade e cuidado como princípios estruturantes das práticas educativas. A filosofia do “Eu–Tu”, de Martin Buber (2017), e a pedagogia da autonomia, de Paulo Freire (2023), constituem referenciais essenciais para compreender o acolhimento como prática dialógica e humanizadora no contexto escolar. A esses aportes soma-se a filosofia da alteridade e a ética do cuidado em Emmanuel Lévinas (2019), cuja centralidade recai na responsabilidade incondicional pelo outro e no reconhecimento de sua singularidade irredutível. Em conjunto, tais perspectivas reforçam que as relações educativas não se limitam à transmissão de conteúdos, mas configuram encontros éticos nos quais cada sujeito é convocado a reconhecer, acolher e responder à presença do outro. Assim, a escola pública deve assumir o compromisso de promover uma educação de qualidade, equitativa e sensível às diferenças, criando condições para que cada estudante seja valorizado em sua singularidade e preparado para o exercício pleno da cidadania e do trabalho, em consonância com princípios de justiça social e responsabilidade ética.