CAPITAL CULTURAL E TECNOLOGIAS DIGITAIS: NOVAS FORMAS DE INCLUSÃO/EXCLUSÃO SOCIAL
Sociologia da Educação; Tecnologia educacional; Letramento digital;
Desigualdade social; Pedagogia Histórico-Crítica; Soberania digital.
A transição para a cultura digital na educação contemporânea configura um paradoxo
sociológico: enquanto o discurso hegemônico promete a democratização do saber, as
estruturas de reprodução social operam uma sofisticada reconfiguração das desigualdades.
Sob a lente da sociologia de Pierre Bourdieu, articulada à Pedagogia Histórico-Crítica e à
Teoria Crítica da Tecnologia, esta pesquisa investiga como a instituição escolar lida com o
habitus digital discente e as disparidades de capital tecnológico. O objetivo central é
diagnosticar os mecanismos de violência simbólica que operam na conversão do capital
cultural em vantagem tecnológica, propondo uma práxis pedagógica que promova a agência
crítica e a soberania do sujeito frente à mediação algorítmica, à Inteligência Artificial e aos
novos regimes de verdade da era digital. Metodologicamente, a investigação adota uma
abordagem qualitativa estruturada no formato multipaper, compreendendo três eixos
interdependentes. O Artigo 1 estabelece o tensionamento epistemológico da tese, denunciando
o "deserto mediacional" das escolas e propondo o conceito original de Pedagogia da Tradução
Sociotécnica — uma estratégia para converter o uso instrumental em apropriação crítica e
soberania intelectual. O Artigo 2 avança para a investigação empírica mediante um estudo de
caso múltiplo e comparativo; através da análise de conteúdo (Bardin) de questionários e
entrevistas, revela o contraste entre a "interdição estratégica" da elite (Soberania Digital) e a
"desassistência estrutural" da rede pública (Subserviência Digital). O Artigo 3 consolida a
pesquisa-ação ao apresentar um Produto Educacional (PE) audiovisual: um
videodocumentário que problematiza a implementação da BNCC Computação e a "fenda
digital de segunda ordem" no contexto mineiro. Conclui-se que a superação da desigualdade
digital exige que a escola abdique da neutralidade técnica e assuma seu papel como campo de
resistência e justiça social, transformando o capital cultural prévio em potência de inserção
crítica.