A MOBILIZAÇÃO DO MODELO AIR NO ENSINO DE TERMODINÂMICA: TENSÕES E POTENCIALIDADES SOB A ÓTICA DO PROFESSOR-PESQUISADOR
Modelo AIR. Cognição Epistêmica. Formação de Professores. Ensino de Física. Ensino de Termodinâmica. Pesquisa sobre a Própria Prática.
Esta pesquisa investiga as tensões e potencialidades da mobilização do Modelo AIR (Aims, Ideals, Reliable Processes), de Chinn e Barzilai, na prática de um professor em formação inicial. O estudo analisa o ciclo de planejamento, execução e reflexão de uma Sequência de Ensino e Aprendizagem (SEA) sobre a evolução dos conceitos de Calor, aplicada em uma turma de Licenciatura em Física. Adotou-se uma abordagem qualitativa do tipo pesquisa sobre a própria prática , inspirada nos princípios da Design-Based Research. Os dados foram constituídos por meio de Diários Reflexivos, elaborados com o suporte da técnica de Estimulação da Memória, focando na percepção docente sobre a transposição didática dos componentes epistêmicos. Utilizou-se o framework Apt-AIR como lente analítica e reguladora da mediação. Os resultados indicam que a implementação do modelo não é linear, revelando desafios na negociação do Contrato Didático e na superação da cultura escolar transmissiva, exacerbados por tensões na identidade profissional do docente. Contudo, a análise evidenciou que o Modelo AIR atua como potente ferramenta de regulação metacognitiva, permitindo ao professor-pesquisador diagnosticar falhas na mediação e qualificar suas estratégias de ensino. Conclui-se que a apropriação do raciocínio epistêmico na formação inicial exige não apenas domínio conceitual, mas suporte para a gestão das incertezas da prática situada.