Uso do geoplano na sala de recurso multifuncional com estudantes do espectro autista
Geoplano; sala de multimeios; necessidades educacionais específicas; autismo.
O presente estudo analisa o uso do geoplano como recurso didático no Atendimento Educacional Especializado (AEE) ofertado a estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na sala de recursos multifuncional de uma escola da rede pública estadual. O objetivo geral consiste em analisar como o geoplano pode ser utilizado para promover a aprendizagem desses estudantes, visando compreender sua aplicação prática, identificar dificuldades dos discentes, apontar possibilidades pedagógicas e avaliar as potencialidades e limitações do recurso. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de cunho interpretativo, realizada com cinco estudantes com diagnóstico de TEA em uma escola no nordeste de Minas Gerais. A investigação, desenvolvida em 2025, utilizou como instrumentos de coleta de dados a observação do ambiente, registros em diário de campo e gravações audiovisuais. Os resultados demonstram que o uso do geoplano, quando aliado a adaptações curriculares e materiais estruturados, atua como um potente mediador para a visualização de conceitos geométricos e organização do pensamento espacial. Observou-se que a viabilidade do recurso está condicionada ao respeito às singularidades sensoriais e cognitivas de cada aluno, exigindo flexibilidade pedagógica, como a substituição de componentes físicos para reduzir resistências táteis. Além do desenvolvimento de competências matemáticas, as atividades lúdicas com o geoplano favoreceram micro interações sociais, a alternância de papéis e o envolvimento comunicativo. Conclui-se que, embora existam limitações relacionadas à dispersão e sensibilidades específicas, o material potencializa a autonomia e o protagonismo dos estudantes, desde que a prática pedagógica seja pautada na acessibilidade, na previsibilidade e na mediação constante.