DESAFIOS E POSSIBILIDADES DE SE TRABALHAR A MODELAGEM MATEMÁTICA NA PERSPECTIVA SOCIOCRÍTICA EM UMA COMUNIDADE RURAL
Modelagem Matemática; Educação Matemática Crítica; Práticas Pedagógicas; Educação Rural
A pesquisa teve como objetivo investigar a realização de uma atividade de Modelagem Matemática, na perspectiva sociocrítica, em uma escola estadual rural, com foco na prática pedagógica da professora-pesquisadora junto à turma do oitavo ano do Ensino Fundamental. Buscamos desenvolver um ambiente de aprendizagem mediado por essa metodologia, descrevendo as experiências da professora e das e dos estudantes ao longo do processo, com o intuito de identificar as potencialidades e os desafios dessa envolvidos. Além disso, elaboramos um Guia Teórico que visa servir como referência para docentes interessados em incorporar a Modelagem Matemática às suas práticas pedagógicas, oferecendo diretrizes fundamentadas nas vivências da pesquisa. A investigação adotou uma abordagem qualitativa, priorizando uma compreensão detalhada das interações e comportamentos humanos no ambiente escolar. Para a constituição dos dados, foram utilizados instrumentos como questionários semiestruturados, registros das atividades realizadas, discussões em sala, interações observadas e o diário reflexivo da professora-pesquisadora. A análise dos dados, de natureza descritiva e interpretativa, foi fundamentada na observação participante, permitindo uma compreensão aprofundada sobre as dinâmicas da sala de aula e da relação entre teoria e prática na Modelagem Matemática,a partir da construção de aspectos interpretativos emergentes do processo analítico. A proposta desenvolvida aproximou os conteúdos matemáticos das situações vividas pela turma e pela comunidade rural, favorecendo a participação ativa, o trabalho coletivo e processos de argumentação em torno de questões reais. Ao longo do percurso investigativo, observaram-se indícios de ampliação da participação estudantil, evidenciados na organização coletiva das ações, na mobilização comunitária e na atuação das e dos estudantes em instâncias públicas de diálogo, como a apresentação de uma carta de solicitação à Câmara Municipal. A experiência contribuiu para a prática pedagógica nas aulas de Matemática ao articular conhecimentos escolares, vivências locais e necessidades da comunidade. O estudo também trouxe reflexões sobre o papel da Modelagem Matemática Sociocrítica na construção de um ensino inclusivo, atento à diversidade presente no contexto rural. Essa perspectiva valoriza processos de tomada de decisão, ação coletiva e elaboração de propostas voltadas ao bem comum, e revelou movimentos de fortalecimento do protagonismo estudantil, compreendido como a ampliação da capacidade das e dos estudantes de analisar, posicionar-se e agir diante das situações investigadas, fortalecendo tanto a autonomia das e dos estudantes quanto o diálogo entre saberes locais e escolares.