O céu ancestral: integrando saberes dos povos originários no Ensino Médio através da origem das constelações nos mitos indígenas
Astronomia Indígena, Astronomia Cultural, Ensino de Astronomia , Educação Antirracista, Preconceito, Ensino de Ciências
Esta pesquisa de mestrado investiga a integração da Astronomia Indígena no ensino médio como estratégia para promover a diversidade epistêmica no ensino de ciências, valorizar os saberes dos povos originários e contribuir para uma educação antirracista. O objetivo foi desenvolver e implementar uma sequência didática fundamentada em narrativas da mitologia guarani sobre a origem das constelações, analisando as concepções dos estudantes acerca da ciência e dos conhecimentos indígenas, bem como possíveis mudanças em suas perspectivas ao longo da intervenção. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa, utilizando questionários, produções escritas, releituras artísticas e diários reflexivos da professora-pesquisadora como instrumentos de coleta de dados, analisados por meio de categorização simples. Os resultados indicam que a sequência didática promoveu mudanças nas concepções dos estudantes. No diagnóstico inicial, predominavam visões neutras ou ingênuas acerca da Natureza da Ciência e dos saberes indígenas, enquanto, ao final da intervenção, observou-se uma predominância de concepções alinhadas à valorização da diversidade epistêmica. Os estudantes passaram a reconhecer os conhecimentos astronômicos indígenas como formas legítimas de produção de conhecimento, identificando processos históricos de invisibilização e preconceito epistêmico e demonstrando maior compreensão das relações entre ciência, cultura e sociedade. A utilização de narrativas mitológicas, da observação do céu com o software Stellarium, de atividades artísticas e de debates sobre racismo estrutural e epistemicídio mostrou-se especialmente relevante para favorecer esse processo de reflexão crítica. Conclui-se que a integração da Astronomia Indígena ao ensino de ciências constitui uma estratégia pedagógica viável para ampliar a compreensão da ciência, promover a valorização da diversidade cultural e epistemológica e fortalecer práticas de educação antirracista na educação básica.